Explicou que a canção era de Tunai , um compositor mineiro que tinha estudado na Escola de Minas em Ouro Preto. Disse que ali também havia passado o irmão mais velho dele, João Bosco . Contou que durante a faculdade costumava viajar para Ouro Preto. Ficava em repúblicas cheias de estudantes. Violões circulavam pela casa. Cerveja barata. Conversas até tarde. Uma vez tinha entrado na república Sinagoga, onde João Bosco havia morado. Nunca soube se Tunai também tinha vivido ali. Ele falava de um jeito que supunha algum conhecimento da minha parte. Disse que Tunai e o irmão tocavam violão de um modo que escapava da disciplina da formação clássica. Havia ali uma recusa em ser elegante da maneira esperada. Enquanto ele falava, tirei o maço do bolso da jaqueta. Escolhi um cigarro e o coloquei entre os lábios. Quando acendi, Ted interrompeu a frase por um instante. A chama iluminou meu rosto. Puxei a primeira tragada e senti o tabaco descer. Ele retomou a história, mas o olhar voltava se...
Tudo isso era novo. Não a presença de Ted, pois ele sempre havia estado lá, mas a qualidade dessa presença e a maneira como ocupávamos o tempo. Antes, havia sempre um cálculo. O horário pensado. A atenção dividida entre a conversa e o risco. Meus pais sempre estavam entre nós. Naquela semana, esse receio desapareceu. Não havia mais uma terceira pessoa. Percebi isso sentada em um banco da praça. Antes de me acomodar, havia dobrado a jaqueta e a colocado sob as coxas. O ar da noite estava parado. Na esquina um rapaz cantava “Certas Canções” em voz e violão. Ted segurava o copo de chope com as duas mãos. Ficou alguns segundos observando a espuma antes de falar que gostava muito daquela música. Eu disse que não conhecia. Isso bastou para ele começar. "Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."