Nos primeiros dias, a gente se
estranhava pelos cantos. Eu acordava cedo, antes dela, e ficava na cozinha sem
saber se podia fazer café. Quando ela acordava e me via ali, parada, dizia que
o pó estava no armário. Passávamos a manhã cada uma em um cômodo. Ela via sua
novela; eu ficava no quarto, vasculhando a internet atrás de emprego.
Depois vinham os ônibus, as ruas
que eu não conhecia, as cópias do currículo. Eu sempre voltava com os pés
doendo e com o suor na testa. Certa vez, uma recepcionista disse para eu voltar
na manhã seguinte para falar com o gerente. Quando retornei, ele avisou que a
vaga já havia sido preenchida.
À tarde, minha tia me chamava
para almoçar. Ela cozinhava, eu secava a louça.
Foi nesses momentos que começamos
a nos conhecer. Falávamos sobre o tempero do feijão, sobre o carteiro que não
passava há dias ou sobre a novela que repetia os mesmos personagens. Aos
poucos, surgiam fragmentos maiores: os homens que passaram por sua vida; o
bonde que a levava para o trabalho e hoje é apenas uma cicatriz no asfalto,
invisível para quem não sabe procurar; o ano que ela passou cuidando da minha
avó, que morreu sem ver o mar, mas jurava tê-lo conhecido em um sonho; e,
finalmente, as lembranças que ela guardava do meu pai, em sua meninice.
Aos poucos, nosso convívio
começou a adquirir uma naturalidade inesperada. No final da tarde, ficávamos
algum tempo na sala. Ela perguntava sobre minha infância, sobre a escola, sobre
coisas simples que perdeu ao longo dos anos. Eu respondia com cuidado, evitando
certos assuntos. Ainda assim, notei que em várias ocasiões eu acabava dizendo
mais do que pretendia. Ela escutava em silêncio. Às vezes fazia apenas uma
pergunta breve, suficiente para mostrar que estava prestando atenção.
Na quinta noite, quando entrei,
ela estava sentada na beira da minha cama. O guarda-roupa estava aberto e a
minha mala, vazia no chão. Ela tinha dobrado minhas roupas e arrumado as
gavetas. Fiquei parada na porta. Ela disse que era para não amarrotar, que mala
estraga o tecido. Depois levantou, passou por mim e foi para a sala. Fiquei
olhando o armário: as camisetas em uma gaveta, as calças noutra, as lingeries
na de cima.

Ansiosa pelo momento em que fumar e conversar começará a fazer parte da rotina!! Como foi a liberdade de morar com uma fumante Joyce? Você gostava do cheiro de fumo da casa? Podia fumar em todos os cômodos?
ResponderExcluirNa verdade não curtia muito o cheiro não kkkk Ela fuma demais. Podia sim, mas era estranho, me sentia sem liberdade, principalmente no inicio.
ExcluirIsso me deu uma vontade danada de fumar um Marlboro vermelho agora. Estou acendendo aqui. Quem me acompanha? rsrsrs
ResponderExcluirEu também quero muito!!!!!
ExcluirDemoro. Vamos nesse minuto
Excluir👵❤️
ResponderExcluirJoyceeee, eu tô chorando real! 😭 Que gesto mais lindo.
ResponderExcluirfoi msm
ExcluirAlguém pode me dar um Marlboro agora por favor
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