Terminei o bolo e comecei a juntar os copos para levar à pia, mas minha tia fez um gesto com a mão, pedindo para eu deixar pra lá. Apoiou-se no balcão, alcançou o maço de cigarros, puxou um e o prendeu entre os lábios. Um clique seco. A chama cintilou e tocou a ponta, que acendeu num brilho laranja intenso. Ela tragou e soltou a fumaça devagar, inclinando a cabeça para trás. O rastro cinza subiu reto no começo, para depois se desfazer em espirais preguiçosas. Fiquei ali, sentindo o cheiro se espalhar. Meu corpo reagiu antes de qualquer decisão; levei a mão até minha pequena bolsa e tateei o meu próprio maço. Minha tia sorriu levemente, levantou-se e, com afabilidade, chamou-me para a varanda, comentando que o ar da tarde estava parado e que um pouco de vento nos faria bem. Eu me levantei e a segui pela sala. O gato na cadeira esticou-se preguiçosamente, ignorando nossa passagem. Minha tia olhou para ele e disse que devia ser de algum vizinho, mas que não adiantava pô-lo para fora: ...
Aqui, mergulhamos nas nuances e na estética sedutora do ato de fumar, explorando o fetiche por cigarros e a atmosfera envolvente que os cerca.