Infelizmente, sem a plateia, o fascínio pela “noite”, que outrora me consumia, desapareceu, deixando apenas a incompreensão. Lá dentro, o bar seguia apático, até que uma voz rompeu o murmúrio constante: — Tudo bem, a gente faz do seu jeito. Aquela frase me lembrou de todas as vezes em que disse “sim” quando deveria dizer “não”; das opiniões que engoli calada depois de aprender, da pior maneira, que o amor exigia sacrifícios. E eu, criatura dócil, me aprimorei no sacrifício de mim mesma. Durante anos, fui moldada pelas expectativas dos meus pais. Cada uma delas representou uma parte que precisei suprimir ou modificar. Sentada ali, sob as lâmpadas amareladas, entendi que o mundo antigo, aquele no qual aprendera a amar através da subtração, já não me servia. Me arrumar no espelho havia se tornado um exercício de arqueologia emocional, uma tentativa de encontrar quem eu poderia ter sido. E reconhecer isso custou caro: significava admitir que desperdiçara anos cultivando uma versão que ex...
Aqui, mergulhamos nas nuances e na estética sedutora do ato de fumar, explorando o fetiche por cigarros e a atmosfera envolvente que os cerca.