Na volta pra casa, peguei o ônibus sozinha. Ted tinha ficado até mais tarde, nossos horários nem sempre batiam, e no trabalho a gente fingia que era só coincidência quando saíamos juntos. O ônibus parecia mais lento que o normal. A cidade se arrastava pelos vidros embaçados. Fiquei imaginando como era possível aprender a ser mais... tudo. Mais mulher. Pesquisei no celular durante o trajeto: como se portar com mais confiança, como uma mulher sexy se move, o que elas dizem, onde colocam as mãos, como acendem um cigarro. Assisti vídeos em silêncio, encolhida no banco do fundo. Atrizes. Influenciadoras. Mulheres com saltos altos e olhos afiados. Elas falavam devagar. Sorriam sem mostrar os dentes. Deixavam pausas onde a maioria preenchia com nervosismo. Anotei mentalmente tudo. Desci no centro, mesmo sabendo que ainda faltavam duas paradas até em casa. Precisava de um lugar. Um momento. Entrei numa praça quase vazia, com bancos de madeira e buganvílias. Os postes já estavam ...
Aqui, mergulhamos nas nuances e na estética sedutora do ato de fumar, explorando o fetiche por cigarros e a atmosfera envolvente que os cerca.