A livraria surgira sem grande intenção, e Ted entrou nela mais por hábito do que por necessidade. O sininho tilintou quando ele empurrou a porta. Entrei atrás dele. Havia um cheiro de livros antigos, e de café também, vindo de algum lugar nos fundos da loja. Ted se perdeu entre as estantes, os dedos deslizando pelas lombadas dos livros em uma busca, não numa escolha. Por fim, deteve-se numa seção junto à janela alta, onde a luz enfraquecida do sol tocava as capas inclinadas. Vi-o puxar um volume, folhear algumas páginas, voltar à contracapa. Quando retornou, trazia nas mãos o pequeno volume encadernado. Pediu dois cafés enquanto nos sentávamos à mesa e, sem cerimônia, estendeu-me o livro: Não Me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro. Senti um aperto lento e insistente ocupar o espaço dentro do peito, até tornar-se difícil sustentar o próprio ar. Ele colocou o livro na mesa, entre as xícaras. O cheiro do café subia, preenchendo o espaço estreito da livraria. Não disse nada de imedi...
Aqui, mergulhamos nas nuances e na estética sedutora do ato de fumar, explorando o fetiche por cigarros e a atmosfera envolvente que os cerca.