Na volta para casa, depois do almoço, porque na sexta só trabalhávamos pela manhã, passei mais uma vez em frente à tabacaria. Parei por mais tempo na vitrine. É só um maço, pensei. Não significa que vou virar fumante. É só... uma experiência. Mas não entrei. Não ainda.
Dei uma volta no quarteirão. A ansiedade aumentava a cada passo, até que, sem nem perceber, meus pés me levaram de volta até a porta da loja. Parei por apenas alguns segundos, respirei fundo e entrei. O coração batia como se eu estivesse prestes a cometer um crime.
Lá dentro, o cheiro de tabaco e papel, que eu esperava detestar, me trouxe um estranho conforto. O homem no balcão me olhou com curiosidade discreta.
"Boa tarde. Posso ajudá-la?"
"Marlboro Light", respondi, com uma firmeza que me surpreendeu.
"Maço comum ou carteira?"
Não fazia ideia da diferença. "Comum", arrisquei.
"Vai precisar de isqueiro?"
Isqueiro. Como não pensei nisso?
"Sim, por favor."
Paguei em dinheiro, como se o cartão pudesse deixar um rastro do meu ato. Guardei o maço e o isqueiro na bolsa e saí da loja sentindo ao mesmo tempo culpa e uma estranha sensação de poder. O maço, ali dentro, pesava como um segredo. Cada vez que eu mexia na bolsa e meus dedos encostavam no papel, uma descarga de ansiedade e expectativa percorria meu corpo.
Ted parecia expectante também, naquela manhã. Havia entre nós uma tensão nova, quase elétrica. Lembrei do "até logo" que ele disse quando desci do ônibus. Pela primeira vez desde que nos conhecemos, tive a sensação de que aquelas palavras significavam mais do que uma despedida educada. Havia uma promessa ali. A promessa de uma noite que poderia mudar tudo.

E ai pessoal, estão gostando da história?
ResponderExcluirVamos comentando por favor. Quero saber a opinião de vocês.
Sei que em termos narrativos a história está meio corrida. Foquei só no que interessa a vocês, mas é claro que existem inúmeros pormenores que dão sentido a todos os acontecimentos. Como essa é a minha história eles são claros na minha cabeça, estão ali quando escrevo, mas esqueço de passar pra vocês.
Para mim tudo é importante, quem eu era, o que eu estava pensando, tudo isso contribuiu para eu tomar essa decisão e infelizmente essas informações não fazem parte desta narrativa, mas são tão essenciais quanto o próprio maço em si.
Sempre que leio o que já foi publicado reparo em pequenos erros, letras repetidas, palavras mal posicionadas ou que poderiam dar lugar a algo que explique melhor o que se passava, sempre que vejo tento corrigir.
Mas a edição física do blog não é de minha competência.
Estou achando muito bom, é viciante como a vontade de fumar, nem fecho mais, deixo aberto esperando a nova postagem pela manhã e os comentários, parabéns!
ResponderExcluirObrigada anônimo
ExcluirUm beijo esfumaçado na mucosa do seu pulmão
Estou adorando sua história, Joyce! Espero que vc consiga postar mais capítulos logo!
ResponderExcluirpor enquanto um pouquinho por dia, mas ja tem alguns dias encaminhado. Não parce mas da muito trabalho
ExcluirJoyce está cada dia ficando mais interessante mas eu fico ansioso na hora que vc contar quando vc acendeu o primeiro cigarro e começou a tragar!
ResponderExcluirestá perto
ExcluirJoyce fuma quantos cigarros atualmente e a quanto tempo você está fumando?
ExcluirLucas, depende muito do dia, do local. Tem dias que menos que um, tem dias que mais de dois
ExcluirEntão entre um e dois
O tempo é algo entre 10 anos
Gostou já na primeira vez, ou no começo achou ruim, tem gente que sentem prazer já na primeira tragada.
ResponderExcluirLogo explicarei melhor
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