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Aprendendo a Tragar (7)

Ted ficou ali. Presente demais para ignorar, ausente demais para confiar. A música insistia: “Why do you telephone?... I'm so sorry...” Aquilo me atravessou. Não como ofensa, mas como verdade. Uma confissão que eu também poderia ter escrito, sobre o desejo e o arrependimento. Parecia que a música expressava o que eu não tinha coragem de dizer. Nem para mim.

Observei o rosto do Ted: calmo, bonito demais para o caos que deixava nos outros. A pele limpa. A boca ligeiramente entreaberta. O tipo de beleza que não se esforça. Que apenas existe. 

Fumar tinha sido bom. Tinha sido melhor do que eu queria admitir. O ato de tê-lo aceso sozinha. O gosto forte, amargo, que ficou na língua. O calor que veio depois, subindo pelo corpo como um segredo partilhado só comigo mesma. E mesmo agora, naquele ônibus descendo pela névoa, eu ainda o sentia dentro de mim, fisicamente. 

Passei a mão devagar pela minha coxa, só para sentir o toque sobre o tecido. Não por provocação. Mas porque o desejo estava ali, silencioso, desperto, encostando-se em mim igual Ted fazia. Um desejo que não pedia permissão. Que voltava mesmo quando eu dizia não. Ted sussurrou algo dormindo, talvez meu nome, talvez nenhum. Aproximei o rosto. Senti o cheiro dele. Fechei os olhos.

O ônibus balançou numa curva mais fechada. A cabeça dele escorregou um pouco mais no meu ombro. O coração acelerou. Mas eu não me movi. Deixei a música seguir. Deixei a neblina me esconder. Deixei o desejo crescer, devagar. Eu temia que aquela história não terminaria bem. Temia que haveria dor no meio da ternura. Mas também sabia que tinha sido bom. E que, talvez, fosse de novo. Eu ainda não sabia o que viria adiante, mas sabia que o que estava atrás já não me cabia.

O ônibus seguia descendo. E eu também.


"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Li há alguns comentários atrás que experimentou diversas marcas, mas prefere o Marlboro vermelho, além dele de quais marcas gostou e qual prefere na falta do Marlboro? Sobre os de sabor qual a sua opinião. Abraços!

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  2. Pergunta dificil. Na falta do Marlboro vermelho fico sempre com o Lucky Strike vermelho. De vez em quando alguns diferentes, só por diversão, tipo o Sampoerna, mas considero ele muito doce. Os da Djarum são muito bons. Depende muito do que tem disponivel e da necessidade. Se não encontro normalmente ando mais. Mas o Marlbro Light é quase universal, dificil não encontrar. Na verdade sou bem chata com isso, tipo Chesterfield acho horrivel, prefiro ficar sem, só em ultimo caso msm. As Cigarrilhas são divertidas.

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  3. E o Carlton vermelho, o que acha? Há um tempo atrás havia o charm, achava simplesmente maravilhoso, mas saiu do mercado, chegou a experimentar ele?

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  4. Carlton nunca vi. O Charm não gostei.

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