Paramos num ponto escuro do parque. Uma árvore antiga, com galhos retorcidos como dedos de uma velha bruxa, nos ofereceu sombra e anonimato. Eu encostei o ombro no tronco. Ele parou diante de mim. A brisa noturna brincava com a barra do meu vestido. E então, novamente naquela noite, levei o cigarro à boca. Ele olhou, fascinado, como se eu fosse um milagre ao contrário: algo sagrado se tornando profano.
Foi aí que ele me beijou.
Dessa vez, sem cerimônia. Sem timidez. Sem os jogos que nos mantiveram em órbita por semanas. Seus lábios encontraram os meus como se fossem feitos da mesma matéria, calor e pressa.
Senti o gosto do desejo dele misturado com o meu, e entre uma tragada e outra, fui me desfazendo. Não do cigarro, mas da mulher de antes.
Seus dedos tocaram minha cintura com uma firmeza que me assustou e excitou ao mesmo tempo. Nunca tinham me tocado assim. Nunca alguém me segurou como quem sabe exatamente o que fazer. E eu? Eu deixei. Como se meu corpo tivesse esperado por esse toque por anos. Como se ele soubesse a coreografia mesmo antes de me conhecer.
As mãos dele deslizaram pelas minhas costas, e eu arqueei levemente o corpo, oferecendo mais do que coragem: ofereci ausência de medo. Seus lábios desceram até o meu pescoço, e pela primeira vez, tremi de prazer. Não o prazer que se aprende nos livros, ou se imagina no escuro de um quarto casto. Era outro. Mais animal. Mais sujo. Mais bonito.
Ele passou os dedos pela minha coxa, erguendo levemente o tecido do vestido. O mundo, até então cheio de regras, de mandamentos e cercas morais, foi se dissolvendo sob os toques dele, como uma pintura lavada pela chuva.
— Você não faz ideia do quanto me excita te ver assim — ele murmurou.
Não respondi. Apenas o beijei de novo, com uma voracidade que não reconheci como minha. Talvez não fosse. Talvez fosse de uma mulher que sempre morou dentro de mim, em silêncio, esperando uma chance para existir...

Sem dúvidas até está foi a mais exitante, ótima escrita, parabéns!
ResponderExcluirMuitas pessoas nos primeiros cigarros mesmo que sintam prazer, também ficam um pouco enjoadas e até com dor de cabeça, como se amanhecesse com uma ressaca , vc não teve nenhum efeito colateral?
ResponderExcluirNa verdade não. Acho que nasci para isso. Rsrsrs.
ExcluirMas talvez foi pq foram muito poucos. Não posso dizer com exatidão devido ao longo tempo, mas foram no máximo 2 ou 3
E fiquei um bom tempo sem fumar de novo.
Mas eu fiquei zonza, e isso foi uma delícia
ExcluirVocês são uns amores.
ResponderExcluirEu fico ansiosa esperando os seus comentários
Sua história tá incrível, Joyce! Uma história muito bem escrita e que é excitante por si só, vc tá fazendo um ótimo trabalho aqui
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