Durante o mestrado, vivi cercada por livros e silêncios. A solitude me vestia como uma segunda pele, dessas que coçam mas não dá pra tirar. Me acostumei a ser invisível. Na verdade, acho que eu preferia assim. Invisíveis não decepcionam. Invisíveis não erram. Invisíveis não fumam.
Mas Ted... ah, Ted era tudo o que eu não sabia que desejava até que ele me olhou com aqueles olhos de quem já viu todas as coisas e ainda quer ver mais uma. No primeiro dia de trabalho o encontrei olhando para mim, com sua barba por fazer, aquele sorriso malfeitor e um perfume que me fazia esquecer como se escreve “congruência”. Desde o primeiro “oi” ele foi natural como vinho e insolente como vinho também. Começou a me cercar com um tipo de gentileza que parecia provocação, dessas que deixam a gente meio tonta, meio viva demais...

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