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O Dia em que Fumei Pela Primeira Vez (5)

À tarde, voltando para meu refúgio, passei diante de uma tabacaria perto de casa. Não entrei. Fiquei parada, encarando os maços na vitrine como se fossem artefatos de um mundo proibido. Marlboro Light. O nome grudou na minha cabeça. 

Uma mulher saiu da loja acendendo um cigarro, e eu a observei como quem assiste a um ritual. A forma como levou o cigarro aos lábios, como soltou a fumaça. Havia algo ali que talvez Ted enxergasse e eu não.

Em casa, tentei me distrair. Li um livro, organizei gavetas que já estavam organizadas, liguei a televisão. Nada adiantava. A frase do Ted tinha se instalado em mim como um vírus, contaminando cada pensamento, cada silêncio.

Depois de um tempo, liguei o computador. Li sobre os malefícios do cigarro, o vício, como parar. Mas também, com uma vergonha que queimava, pesquisei como começar a fumar, primeira vez fumando. 

Os relatos eram confusos: uns diziam que era horrível no início, outros falavam de um prazer imediato, um alívio. Vi vídeos de mulheres fumando, observei com atenção que me lembrava os tempos de pesquisa do mestrado: o jeito como seguravam o cigarro, como inspiravam, como exalavam a fumaça. Seria aquilo mesmo sedutor? Ou era só minha mente, contaminada pelas palavras dele?

Fechei o laptop com culpa, como se tivesse feito algo errado. Mas no fundo, havia também uma excitação difícil de ignorar. A sensação de estar à beira de algo proibido, de algo que a Joyce de antes jamais teria sequer cogitado.

Passei novamente pela tabacaria. Ficava a poucos metros da portaria, mas já na rua lateral. Era no prédio do mercado. Impossível de ser vista do apartamento de meus pais e tão perto quanto uma tentação deve ser. Desta vez, parei por mais tempo na frente da vitrine.

Observei uma senhora que saiu da loja naquele momento... Havia mesmo algo hipnótico naquilo, algo que eu nunca havia notado antes.

À noite, quando o sono veio, sonhei que fumava. No sonho, eu era elegante como as atrizes dos filmes antigos, soltando a fumaça com uma naturalidade que na vida real nunca tive para nada. Acordei com um gosto estranho na boca e o coração disparado, como se o sonho tivesse sido mais real do que tudo.

Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais.


Comentários

  1. É muito top

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  2. Joyce estamos esperando vc contar quando vc colocou pela pela primeira vez um cigarro na boca e depois aprendeu a tragar

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  3. Logo vai acontecer.
    Eu amo essa foto!

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  4. Joyce, nao desanime, seu relato ficou incrível, está evoluindo na confiança de contar fatos da sua vida, é assim mesmo, parabéns, para mim está incrível o blog, e vou ajudar a divulgar em alguns grupos, logo isso vai aumentar, seu esforço sempre valerá apena.

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