Na sexta, sob o espesso frio cortante da manhã, eu seguia para o trabalho, encolhida no banco do ônibus como quem quisesse apenas regressar à cama. Quando a porta se abriu, Ted estava ali, mal visível através da branca e densa neblina que embaçava a rua, e tudo ao redor. Ele entrou no ônibus, e sorriu quando me viu, como sempre, mas havia algo diferente no ar entre nós. Ou talvez eu é que estivesse diferente, carregando o peso daquela ideia que não me abandonava.
Conversamos sobre amenidades, o tempo, o trânsito, essas coisas que as pessoas dizem para preencher o vazio quando há coisas demais para serem ditas. Mas eu estava atenta a cada palavra, a cada pausa, tentando decifrar se ele estava pensando no que tinha me proposto. Sentado ao meu lado, Ted parecia mais próximo que o normal. Não fisicamente, ocupávamos o mesmo banco de sempre, mas havia uma nova intimidade no ar. Uma tensão quase palpável.
"Joyce", disse ele quando o ônibus já se aproximava do trabalho, "que tal sairmos hoje à noite? Conheço um lugar legal."
Meu coração disparou. Não era um convite casual; havia intenção ali, um propósito escondido no tom da voz.
"Claro", respondi, tentando soar natural enquanto minha mente já começava a traçar planos.
"Às oito, no centro."
O resto da manhã passou em câmera lenta. Cada minuto parecia se arrastar, enquanto minha mente se dividia entre a expectativa do encontro e aquela ideia que crescia como uma obsessão: e se eu aparecesse com um cigarro? E se eu o surpreendesse?...

Começo são assim.
ResponderExcluirExcelente sua história Joyce vc está de parabéns eu amo o smoking fetihs
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