Sofia sabia fumar. E pior: havia aprendido por ele. Por Ted.
Fora por causa de uma conversa inocente, se é que existe tal coisa entre dois que se desejam, que Sofia descobrira o fetiche. E diferente de mim, que precisei lutar contra a culpa e o medo como quem cava a própria cova para renascer, Sofia se lançou com alegria. Amou o ritual, amou o sabor, amou o fogo. E, de algum modo que eu mal compreendia, passou a amar o cigarro porque ele a fazia se sentir mais próxima dele. Como se fosse uma ponte ardente entre os dois.
E ele… bem, ele sabia.
Sabia o que ela queria, sabia o que ela fazia, sabia o porquê. E, ainda assim, mantinha distância. Nunca tocava nela, nunca aceitava um cigarro, nunca devolvia o riso com a mesma intensidade. Havia algo em Ted que era misteriosamente contido diante de Sofia. E por algum tempo, na minha ingenuidade, cheguei a pensar que era desinteresse.
Mas com o tempo comecei a entender, não, a intuir, que o que ele sentia não era indiferença. Era medo.
Medo da juventude dela, que brilhava como um alerta. Medo da intensidade, do tipo de entrega que cobra permanência.
Ted talvez não compreendesse racionalmente, mas algo nele sabia que, se cedesse, ela o tomaria inteiro. Não no sentido sexual, mas na urgência que ela carregava. Sofia não queria uma noite. Queria um destino.
Ela morava com os avós, marcada pela ausência da mãe e pela distância do pai, criada entre silêncios de ressentimento e cuidados gastos pelo tempo. E agora, a figura de Ted, forte, calmo, bonito, desejável, se tornara seu projeto de redenção...

Essa história, tô ansioso pra saber mais sobre a Sofia!
ResponderExcluirEla tem uma presença marcante
ResponderExcluir