Naquela tarde, no meio do expediente, caminhei até o jardim, em busca de um pouco de ar. Sentei sob uma árvore antiga, detentora de segredos longínquos, registrados nos anéis do seu tronco. E fiquei ali, deixando o tempo passar um pouco mais devagar. O barulho dos carros na rua chegava abafado, como se o mundo lá fora estivesse longe. Foi ali, no meio do silêncio pontuado pelo farfalhar das folhas, que a palavra me voltou com força: redenção.
Redenção de quê, afinal? Do que Sofia precisava ser redimida? Fiquei pensando nisso, demoradamente, como se a resposta estivesse escondida no balançar leve dos galhos.
Talvez fosse daquele silêncio que a cercava desde criança, daqueles cuidados medidos, calculados, que os avós lhe davam como quem distribui remédios na dose certa, na hora certa, sem excesso, sem paixão.
Redenção de ter crescido como uma planta em vaso pequeno demais, sempre sentindo que havia algo errado com ela, algo que não cabia, que não se encaixava na "vida organizada e respeitável que lhe ofereciam."
A mãe que partiu, deixando apenas o rastro de um perfume que ela às vezes ainda sonhava sentir. O pai que existia como uma promessa distante, como uma carta que nunca chegava. E os avós, pobres avós, que a amavam do jeito que podiam, mas com o amor cansado de quem já havia perdido muita coisa na vida.
Sofia parecia carregar dentro do peito uma sede que ela mesma não conseguia nomear. Uma sede de ser vista, de ser escolhida, de ser desejada por alguém que não a visse como um fardo ou uma responsabilidade herdada. E Ted... ah, Ted representava tudo isso. Não apenas um homem, mas um território onde ela poderia finalmente habitar sem pedir desculpas por existir...

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