Mas quanto mais eu pensava nisso, mais percebia que não era sobre libertação. Não era sobre Sofia se descobrir livre e selvagem nos braços dele. Era sobre encontrar um lugar onde pudesse ser errada em paz. Onde pudesse ser a pessoa complicada, necessitada, intensa que ela sempre foi, sem que ninguém tentasse corrigi-la ou educá-la para ser melhor. Ted, com seus desejos específicos, com seus fetiches, oferecia a ela uma espécie de sossego, o sossego de quem finalmente encontra alguém que não apenas aceita suas imperfeições, mas as deseja.
E foi aí que comecei a entender por que ela havia se jogado tão completamente naquele mundo. Por que o cigarro se tornou para ela mais do que um vício, se tornou uma linguagem. O Marlboro vermelho queimando entre seus dedos não era apenas fumaça; era a materialização de algo que sempre esteve dentro dela, algo rebelde, algo que nunca tivera permissão para existir na casa dos avós, entre os móveis antigos e as rotinas silenciosas.
Lembrei da primeira vez que a vi fumar na frente de Ted. A maneira como ela segurava o cigarro, como se fosse uma extensão natural de seus dedos. Como se tivesse nascido para aquilo. E talvez tivesse mesmo. Talvez o cigarro fosse para ela o que sempre havia faltado: uma forma de dizer ao mundo que ela existia, que ela escolhia, que ela podia ser perigosa se quisesse...

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