Os fetiches de Ted se encaixaram na vida de Sofia como peças de um quebra-cabeças que ela nem sabia que estava montando. Não era só sobre sexo, percebi. Era sobre identidade. Era sobre finalmente encontrar um espelho onde pudesse se reconhecer.
Naqueles rituais íntimos, naquelas pequenas transgressões que compartilhavam, Sofia não estava se perdendo; estava se encontrando. Ou, pelo menos, estava encontrando uma versão de si mesma que fazia sentido, que tinha propósito, que era desejada exatamente como era.
E talvez houvesse também algo de punição nisso tudo. Uma punição que ela se impunha por ter sido sempre a filha que sobrou, a neta que precisou ser criada, a mulher que nunca soube direito como amar ou ser amada.
O cigarro queimando em seus pulmões, a fumaça enchendo seu peito, podia ser uma forma de pagar por toda essa culpa que ela carregava sem nem saber por quê. Como se dissesse a si mesma: "Eu sou mesmo errada, eu sempre soube, e agora pelo menos posso ser errada do jeito certo, do jeito que alguém quer que eu seja..."
[Sofia]

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