Porque era isso, no fundo, o que Ted oferecia a ela. Não a chance de ser boa, mas a chance de ser má de um jeito específico, controlado, desejado. E Sofia, que havia passado a vida toda tentando não ser um problema para ninguém, finalmente encontrou alguém para quem ela podia ser exatamente o tipo de problema que ele queria ter.
Eu a invejava por isso, percebi. Invejava a forma como ela havia se entregado completamente àquela identidade, como havia abraçado aquela versão de si mesma sem reservas. Porque eu ainda estava lutando, ainda estava tentando conciliar a mulher que eu achava que deveria ser com a mulher que eu sentia que era quando estava perto de Ted, quando fumei meu primeiro cigarro, quando sentia meu corpo responder aos mesmos estímulos que despertavam tanto desejo nele.
E foi ali, sob aquela árvore, que percebi o quanto disso tudo também era meu. O quanto eu me agarrara ao Marlboro como se ele fosse um sinal, um símbolo de que eu podia, enfim, ser outra.
O quanto encontrei nos fetiches de Ted um espelho onde, a mulher errada que eu começava a sentir ser, parecia caber. E, naquele instante, descobri em mim uma necessidade que eu nem sequer sabia que existia: a urgência de me libertar daquela diferença que me prendia, esse recato, essa censura que me sufocava, imposta pela sociedade, pela religião; pelos meus pais.
Não era libertação o que eu buscava. Era, quem sabe, aceitação, mas de uma aceitação que me permitisse deixar para trás aquilo que me limitava, ao menos por um instante, ser a mulher errada no lugar certo.
Sofia havia encontrado seu lugar. E eu ainda estava procurando o meu...
[Sofia]

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