Naquela noite, depois que voltei para casa, tudo desabou.
O peso que durante o dia eu carregara com a altivez de quem finge que nada sente, caiu sobre mim assim que a porta do meu quarto se fechou.
Foi como se, de repente, o ar se tornasse espesso demais para respirar, como se o apartamento silencioso conspirasse contra mim.
O silêncio foi um golpe: a ausência de Ted, o vazio das palavras que eu queria ter dito e não disse, o gosto amargo da comparação que eu engoli durante o expediente inteiro.
Sentei-me na cama sem tirar os sapatos.
O apartamento estava mergulhado naquela penumbra azulada dos postes da rua, e eu fiquei ali, imóvel, como um objeto esquecido no canto de um quarto, esperando que alguma coisa em mim se quebrasse de vez.
Porque talvez fosse isso que eu precisava: quebrar completamente para depois poder me recompor em algo diferente, algo que merecesse ser olhado da forma como Ted havia olhado para Sofia...

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