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O "Segundo" Cigarro (25)

Chorei baixinho, como sempre fiz desde pequena, porque em casa ninguém nunca escutava meus choros.

Eu chorei. 

Um choro feio, sufocado, desses que arranham a garganta. 

Um choro de quem sabe que ninguém vai ouvir e, se ouvir, não vai importar.

Meu pai, afogado nas próprias frustrações, mantinha a cerveja sempre gelada e os olhos fixos no jornal. Sussurrava amarguras políticas entre os dentes e, sem me olhar nos olhos, dizia que eu precisava aprender a ser mulher de verdade.

Nunca explicou o que isso queria dizer.

Minha mãe, sentada sob a luz fraca da cozinha, refugiada em suas palavras cruzadas, vivia alheia ao mundo, como se sobreviver ao casamento fosse o único jogo que lhe restava jogar.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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