Naquela noite, chorei sozinha no meu quarto, e, vagando como um fantasma inquieto, abri a janela, respirei o ar frio, espiei os apartamentos vizinhos: luzes amarelas, jantares em família, o azul pálido das televisões. Eu era uma criança olhando as vitrines de uma loja cara.
Pensei em Ted.
Pensei em Sofia.
Pensei no cigarro escondido no fundo da gaveta, guardado como um segredo que me envergonhava. E, por um instante, desejei profundamente tê-lo ali, entre os dedos.
Não era o gosto que eu queria.
Era a coragem.
Matar a antiga Joyce e nascer, enfim, aquela mulher que eu imaginava nos olhos dele quando ele olhava Sofia.
Transformar-me na mulher que desejava, mesmo que isso custasse minha própria alma.
Fechei a janela, deitei de roupa mesmo e esperei o sono que demorou a chegar, como tudo que eu queria na vida...

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