No próximo dia, a tensão virou exaustão.
Passei o dia inteiro como quem veste uma roupa apertada, desconfortável na própria pele, consciente de cada olhar, de cada palavra sussurrada pelos corredores. Era como se todos soubessem de algo que eu mesma ainda não conseguia admitir: que eu estava perdendo Ted antes mesmo de tê-lo completamente.
As colegas comentavam como se eu não existisse.
— Ted e Sofia? Formam um casal bonito, né? Têm aquele jeito de quem nasceu pro mundo — disse uma delas, rindo como se fosse a coisa mais óbvia do universo.
Elas falavam como se eu fosse invisível, como se minha presença não significasse nada.
Eu assenti.
Eu assenti mecanicamente, um gesto automático de quem finge desinteresse, mas por dentro o gosto amargo da invisibilidade queimava como fel na minha garganta...

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