A quinta-feira amanheceu cinzenta e chovendo fino.
E foi ali, sob a sombrinha torta enquanto esperava o ônibus, que senti o peso dos últimos meses se acumulando nos ombros. Durante o trajeto, o corpo úmido e molhado de Ted, que não se importara em usar um guarda-chuva, se encostava em mim.
Senti o frio.
Não reclamei.
Horas mais tarde, no trabalho, eu voltava da copa. E então, vi: Sofia estava sentada à mesa dele. Não apenas sentada, inclinada, próxima demais. O cigarro apagado entre os dedos, como uma arma à espera do momento certo. Ela ria de algo que ele dissera, uma risada baixa, íntima. E, por um segundo, vi Ted sorrir de volta. Aquele vislumbre me embrulhou o estômago.
Eu voltei para a minha mesa, mas já não estava ali. O dia se alongou como um peso inútil. O relógio me zombava a cada segundo que passava...
[Sofia]

Comentários
Postar um comentário