No domingo, ele insistiu. Um convite tímido, depois outro mais direto.
— Me diz a verdade. Você tá me evitando?
E eu menti de novo.
— Não, só tô mesmo ocupada.
Passei o resto do dia inventando desculpas e, quando não estava mentindo para ele, mentia para mim mesma. Dizia que fazia isso para proteger algo delicado, que precisava crescer devagar. Mas no fundo eu sabia: era medo. Medo de ser descoberta. Medo de me perder. Medo, principalmente, de que ele percebesse quem eu realmente era.
Porque eu não era aquela mulher que fumava com naturalidade embaixo do luar. Aquela que beijava com fome e passava a mão nas costas dele como quem conhece os mapas do próprio corpo. Aquela era um esboço.
A verdadeira Joyce morava ainda na casa dos pais, guardava segredos como joias falsas, e lia romances antigos sem nunca ter vivido um.
Por isso, também, não toquei mais no maço. Ele ficou ali, no fundo da bolsa, como um amuleto proibido. Mas sua presença me inquietava. Como se, mesmo fechado, ele me chamasse de volta...

Incrível, sua relação com cigarro foi intensa, sei bem como é viver assim.. é deveras complicado.
ResponderExcluirMas a verdade liberta. Dói no início, dói muito. Mas depois é melhor
ResponderExcluir