Desde que apareci, percebi que Sofia se tornara mais ousada. Como se minha simples existência fosse uma provocação.
Ela passara a se aproximar mais, a rir alto das piadas dele, a tocar seu braço como quem não pede permissão. A fumar mais, mais perto, mais lento. Como se dissesse: “Lembre-se de que me contou primeiro.”
Não era exatamente ciúmes o que me corroía. Era insegurança. Um tipo de invisibilidade nova: a que vem quando você finalmente se torna visível, mas teme não sustentar o olhar.
Vi como ele olhava para outras. Mulheres que fumavam com naturalidade, cruzando as pernas com uma confiança líquida, inalcançável. Mulheres que, eu imaginava, tinham anos de experiência em dominar corpos e ambientes, enquanto eu ainda tremia ao acender um cigarro ...
[Sofia]

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