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Aprendendo a Tragar (11)

Abri os olhos no ônibus, observando a paisagem urbana que desfilava pela janela embaçada. Ted. Mesmo agora, tempos depois, o nome dele provocava uma reação física. Um arrepio que começava na nuca e descia pela espinha, instalando-se no baixo ventre como uma promessa não cumprida.

Ele surgira do nada. Tinha uma presença que contrastava brutalmente com a mediocridade do ambiente. Seus cabelos ralos nas têmporas conferiam-lhe uma distinção que eu associava aos professores das minhas fantasias adolescentes.

— Perdida? — perguntara ele, com os ombros relaxados, a barba por fazer, a camisa amassada. Sua voz tinha uma qualidade aveludada que me fez estremecer.

Ele me olhou como se já me conhecesse. E talvez, naquele momento, eu já tivesse decidido que queria ser conhecida por ele.

Gaguejei uma resposta, sentindo-me ridícula em meu vestido novo, comprado especialmente para causar boa impressão.

Ele se aproximou com naturalidade, fez uma piada qualquer sobre a burocracia, e eu ri. Rir era mais fácil do que parecer inteligente.

E ele percebeu.

Não minha risada, mas meu medo.

Me ofereceu ajuda, explicou detalhes do sistema, da papelada, da coordenadora mal-humorada. E tudo isso com um sorriso, como quem diz: não se preocupe, estou aqui.

Era isso. A presença dele era uma promessa de chão firme num lugar escorregadio.

Ted me guiou pelos corredores com a naturalidade de quem conhecia cada canto daquele lugar, oferecendo dicas sobre os colegas, advertindo sobre as manias da coordenadora, transformando aquele ambiente hostil em algo navegável.

A atenção dele foi como água para uma planta ressecada. Eu, que sempre me considerara invisível, de repente me sentia vista, notada, importante.

Ted não apenas me ouviu falar sobre minhas expectativas e ansiedades, ele as validou, as tornou legítimas.

E foi assim que começou. Não com um flerte. Não com um olhar demorado. Começou com alívio. Com o peso da inadequação sendo suspenso por alguns minutos.

E eu, carente de chão, me agarrei.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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