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Aprendendo a Tragar (13)

Mas Ted. Ted queria esconder. Ele era assim. Guardava sua vida pessoal como um país estrangeiro com fronteiras vigiadas. No trabalho, nunca me tocava. Nunca um olhar demorado. Nunca um sorriso fora do lugar. Quando falava comigo, era como se eu fosse qualquer uma. Ainda que, às vezes, sua voz vacilasse.

Ele queria que eu fosse profissional. Discreta. Invisível. E aquilo me enlouquecia, devagar.

Certa manhã, o sol batia na janela quando vi Sofia se aproximando da escada. Decidi descer com ela. O coração quase saltou do peito quando ela tirou o maço da bolsa ali mesmo, diante de mim. Seus dedos acariciaram o cigarro com a mesma delicadeza que eu costumava observar da janela. Por um instante, achei que fosse acendê-lo no corredor. A ideia me deixou tonta.

— Você fuma? — perguntou, sem me olhar, alheia à minha presença.

Eu fumava?

— Às vezes.

Ela sorriu. Um sorriso que carregava o peso de todos os cigarros que eu a havia visto fumar. De todas as manhãs que passei observando, invisível, da janela.

— É um vício terrível disse. Mas sua voz não condenava. Havia algo ali que sugeria o contrário: não vício, mas liberdade.

Ela caminhou até o lugar de sempre, e eu a segui de longe, fingindo mexer no celular. Dessa vez, estava perto o suficiente para ouvir: o clique do isqueiro, a aspiração sutil da primeira tragada, o sussurro da fumaça expelida.

Quando ela se virou, me pegou olhando.

— Você não vai fumar? — perguntou.

Hesitei. Não tinha cigarro. Mas ali, observando a forma como ela o segurava, o modo como a fumaça escapava lentamente de seus lábios entreabertos, entendi que estava diante de uma oportunidade.

— Quer um? — ofereceu, estendendo o maço.

— Por que não? — respondi, surpresa com a naturalidade da minha própria voz.

Nossos dedos se tocaram quando peguei o cigarro. Uma descarga silenciosa cruzou o espaço entre nós.

— Use o meu isqueiro — disse.

A chama tremulou. Aproximei-me mais do que o necessário, mais do que a prudência recomendava. Por um instante, respiramos o mesmo ar, dividimos o mesmo espaço impossível entre a chama e a ponta do cigarro.

— Assim — murmurou, sua mão sobre a minha, guiando o gesto. Devagar. Sempre devagar.

A primeira tragada foi um desastre. Tossi. Os olhos lacrimejaram. Sofia riu, um riso baixo, quase íntimo.

— É sempre assim no começo — disse. Depois você aprende a gostar da queimação.

Ela tragou profundamente. A fumaça saiu dos seus lábios como uma prece pagã.

— Você parece tensa hoje — comentou, me observando com olhos que decifravam mais do que eu gostaria.

— Trabalho — menti.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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