Pular para o conteúdo principal

Aprendendo a Tragar (14)

Levei o cigarro de novo aos lábios, desta vez com mais cuidado. Ainda arranhava a garganta, mas consegui não tossir.

— Melhor. Ted vai gostar — disse ela.

O nome dele, dito assim, com casualidade, me atingiu como um soco seco no estômago. Sofia havia percebido. É claro que havia. Meu interesse por Ted não era exatamente discreto.

— O que você quer dizer? — perguntei, tentando parecer desinteressada.

— Ah, Joyce, por favor. Você fica vermelha toda vez que ele aparece. E ele... Bem, Ted tem uma coisa com mulheres que fumam. Sempre teve.

Ela tragou mais uma vez, os olhos perdidos em algum ponto entre os galhos.

Havia uma intimidade naquele comentário que me incomodou. Sofia conhecia Ted. Conhecia seus gostos, seus fetiches. Talvez melhor do que eu.

— Vocês...? — comecei, mas ela me interrompeu.

— Não. Nunca. Mas eu observo as pessoas, Joyce. É um hábito. E Ted... Ted é observável.

A certeza dela me irritou. Mas também me fez pensar. Sofia não sabia que Ted e eu estávamos juntos. Para ela, ele ainda estava disponível. E se ela decidisse que o queria?

Fumamos em silêncio. Eu tentava imitar seus gestos, decorar a maneira como ela segurava o cigarro, o modo como expirava a fumaça. Cada movimento parecia uma aula. E eu, uma aluna esforçada. O vento trazia o perfume dela misturado à fumaça, e algo se acendeu em mim.

Lembrei do dia em que descobri que talvez fosse assim que o paraíso cheirava: a pecado e a promessa.

A lembrança me pegou desprevenida, como uma brasa antiga reacendendo...

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Este foi o primeiro cigarro na com alguém que não fosse o Ted? Até então o último havia sido os dois no quarto? Foi seu primeiro contato com o Marlboro red?

    ResponderExcluir
  2. Nossa, que perspicaz! Esse foi, sim, o primeiro Marlboro vermelho que experimentei. E foi também a primeira vez que fumei com alguém que não fosse o Ted. Antes disso, só fumava sozinha ou com ele.

    ResponderExcluir
  3. E qual foi a opinião sobre o Marlboro neste primeiro momento, já estava sentindo vontade de fumar? Se sentiu bem ou envergonhada por estar no ambiente de trabalho? Seus pais ainda não desconfiavam?

    ResponderExcluir
  4. Foi bem difícil. O processo de aprender a fumar usando os cigarros light já era complicado, mas os vermelhos foram muito piores. Estranhamente, a vergonha de ser iniciante nunca me passou pela cabeça. A questão dos meus pais só vai se tornar relevante mais tarde.

    ResponderExcluir
  5. Bom dia, não entendi, qual foi a dificuldade de fumar os vermelhos, achei que já nos primeiros estava fumando tranquilamente e já com prazer, estava nesta fase a quanto tempo fumando? E nos conte já estava viciada, já sentia vontade, necessidade de fumar?

    ResponderExcluir
  6. Normalmente as pessoas aprendem dando pequenos tragos nos cigarros dos outros. Eu estava fumando de primeira um inteiro. E é muito forte.
    Só vou sentir necessidade muito pra frente.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Prazer...

Meu nome é Joyce (pelo menos por aqui rsrsrs). Simples assim. Sem segredos no nome, embora eu os tenha de sobra na alma. Tenho entre 30 e 40 anos, e um currículo impecável em todas as áreas que não envolvam vida social. Até os 25 nunca namorei. Nunca fui popular. Nunca fui o tipo de mulher que alguém olha duas vezes na rua e, sinceramente, por muito tempo achei que isso era uma virtude. Fui criada numa família onde aparência valia mais que afeto, e onde ser uma "boa moça" era o destino final, não o ponto de partida. Cresci achando que desejo era uma espécie de doença e que o silêncio era a linguagem mais segura. E talvez tenha sido mesmo. Pelo menos até eu conhecer Ted. Mas não quero parecer trágica. Trágico é o que nunca muda. E eu, bom, eu mudei. Ou estou tentando. É por isso que resolvi contar essa história. Porque às vezes é preciso escrever para entender. E às vezes é preciso acender o primeiro cigarro para, enfim, respirar. [Essa foi a primeira foto que tirei fumando,...

O Dia em que Fumei Pela Primeira Vez (7)

Na volta para casa, depois do almoço, porque na sexta só trabalhávamos pela manhã, passei mais uma vez em frente à tabacaria. Parei por mais tempo na vitrine. É só um maço , pensei. Não significa que vou virar fumante. É só... uma experiência . Mas não entrei. Não ainda . Dei uma volta no quarteirão. A ansiedade aumentava a cada passo, até que, sem nem perceber, meus pés me levaram de volta até a porta da loja. Parei por apenas alguns segundos, respirei fundo e entrei. O coração batia como se eu estivesse prestes a cometer um crime. Lá dentro, o cheiro de tabaco e papel, que eu esperava detestar, me trouxe um estranho conforto. O homem no balcão me olhou com curiosidade discreta. "Boa tarde. Posso ajudá-la?" " Marlboro Light", respondi, com uma firmeza que me surpreendeu. "Maço comum ou carteira?" Não fazia ideia da diferença. "Comum", arrisquei. "Vai precisar de isqueiro?" Isqueiro. Como não pensei nisso? "Sim, por fav...

Bem-vindos ao Novo Lar do Smoking Fetish no Brasil!

 É com imensa satisfação que inauguramos este espaço dedicado a todos os entusiastas e curiosos do smoking fetish no Brasil! Há muito tempo, percebemos uma lacuna na comunidade: o antigo blog "smokingfetishbrasil", embora tenha sido um ponto de encontro importante, foi infelizmente abandonado há anos. Comentários se acumularam, ultrapassando a marca dos 500 em muitas postagens, transformando a discussão em um emaranhado difícil de seguir e participar. Pensando nisso, criamos este blog com um propósito claro: facilitar a reunião e a troca de ideias entre as pessoas . Queremos que este seja um ambiente novo e vibrante onde todos possam se sentir à vontade para compartilhar suas perspectivas, discutir sobre o tema e se conectar com outros que compartilham esse interesse. Nosso objetivo é proporcionar uma plataforma intuitiva e dinâmica, onde os comentários sejam organizados e as conversas fluam naturalmente. Chega de se perder em centenas de respostas; aqui, a interação será si...