Na quarta-feira, ela passou duas vezes por mim no corredor. O salto dos sapatos batia no chão com precisão irritante, e cada passo parecia querer marcar território.
Usava o perfume que Ted uma vez
elogiara, eu lembrava, porque ele havia dito que cheirava a pêssego, e ela
respondeu que era “só um body splash barato”. Não combinava com ela. Mas talvez
fosse essa a intenção: provocar um estranhamento, deixar um rastro.
Fingiu não me ver. Mas seus olhos
me atravessaram de canto, procurando algo no meu rosto.
Na volta pra casa, andei a esmo por algumas lojas, sem saber bem o que procurava. A cidade era fria, e o vento cortava as ruas igual a navalha. Passei os dedos pelos tecidos, na busca por um corpo que não tenho. Blusas com decotes fundos. Saias que pareciam pedir olhares. Provei vestidos que não diziam nada sobre mim, mas insinuavam tudo. Cada peça era uma pergunta: é assim que se olha uma mulher desejável?
As luzes dos provadores eram impiedosas, e por um instante desejei não me ver tão claramente. Mas fiquei. Observei meu reflexo com a calma de quem examina um inimigo. Ajustei a alça de um vestido, virei de lado, experimentei um sorriso.
Um novo figurino exige
ensaio. O corpo aprende.
Escolhi uma blusa de malha
canelada, justa, de um verde-garrafa profundo, um tom que parecia sussurrar
mistério. Era um cropped, mas não curto demais, apenas o suficiente para
insinuar um pedaço de pele, uma promessa entre o tecido e a cintura. Com ela, combinei
uma minissaia de tecido grosso, preta, tipo alfaiataria, uma peça que
acompanharia cada passo com elegância. Nos pés, imaginei meias-calças opacas
que se fundiam em botas pretas de salto médio, que subiam até os joelhos. Um
conjunto que dizia: eu sei o que quero.
Tudo tocava onde devia.
Era inverno, mas eu não queria me
esconder.
[Deslumbrante, eu acredito ter acertado em cheio com este look. Ted ficou hipnotizado. Uma noite inesquecível de pura felicidade.] - Joyce
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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