Pular para o conteúdo principal

Aprendendo a Tragar (18)

Na quarta-feira, ela passou duas vezes por mim no corredor. O salto dos sapatos batia no chão com precisão irritante, e cada passo parecia querer marcar território.

Usava o perfume que Ted uma vez elogiara, eu lembrava, porque ele havia dito que cheirava a pêssego, e ela respondeu que era só um body splash barato”. Não combinava com ela. Mas talvez fosse essa a intenção: provocar um estranhamento, deixar um rastro.

Fingiu não me ver. Mas seus olhos me atravessaram de canto, procurando algo no meu rosto.

Na volta pra casa, andei a esmo por algumas lojas, sem saber bem o que procurava. A cidade era fria, e o vento cortava as ruas igual a navalha. Passei os dedos pelos tecidos, na busca por um corpo que não tenho. Blusas com decotes fundos. Saias que pareciam pedir olhares. Provei vestidos que não diziam nada sobre mim, mas insinuavam tudo. Cada peça era uma pergunta: é assim que se olha uma mulher desejável?

As luzes dos provadores eram impiedosas, e por um instante desejei não me ver tão claramente. Mas fiquei. Observei meu reflexo com a calma de quem examina um inimigo. Ajustei a alça de um vestido, virei de lado, experimentei um sorriso. 

Um novo figurino exige ensaio. O corpo aprende.

Escolhi uma blusa de malha canelada, justa, de um verde-garrafa profundo, um tom que parecia sussurrar mistério. Era um cropped, mas não curto demais, apenas o suficiente para insinuar um pedaço de pele, uma promessa entre o tecido e a cintura. Com ela, combinei uma minissaia de tecido grosso, preta, tipo alfaiataria, uma peça que acompanharia cada passo com elegância. Nos pés, imaginei meias-calças opacas que se fundiam em botas pretas de salto médio, que subiam até os joelhos. Um conjunto que dizia: eu sei o que quero.

Tudo tocava onde devia.

Era inverno, mas eu não queria me esconder.

[Deslumbrante, eu acredito ter acertado em cheio com este look. Ted ficou hipnotizado. Uma noite inesquecível de pura felicidade.] - Joyce

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Prazer...

Meu nome é Joyce (pelo menos por aqui rsrsrs). Simples assim. Sem segredos no nome, embora eu os tenha de sobra na alma. Tenho entre 30 e 40 anos, e um currículo impecável em todas as áreas que não envolvam vida social. Até os 25 nunca namorei. Nunca fui popular. Nunca fui o tipo de mulher que alguém olha duas vezes na rua e, sinceramente, por muito tempo achei que isso era uma virtude. Fui criada numa família onde aparência valia mais que afeto, e onde ser uma "boa moça" era o destino final, não o ponto de partida. Cresci achando que desejo era uma espécie de doença e que o silêncio era a linguagem mais segura. E talvez tenha sido mesmo. Pelo menos até eu conhecer Ted. Mas não quero parecer trágica. Trágico é o que nunca muda. E eu, bom, eu mudei. Ou estou tentando. É por isso que resolvi contar essa história. Porque às vezes é preciso escrever para entender. E às vezes é preciso acender o primeiro cigarro para, enfim, respirar. [Essa foi a primeira foto que tirei fumando,...

O Dia em que Fumei Pela Primeira Vez (7)

Na volta para casa, depois do almoço, porque na sexta só trabalhávamos pela manhã, passei mais uma vez em frente à tabacaria. Parei por mais tempo na vitrine. É só um maço , pensei. Não significa que vou virar fumante. É só... uma experiência . Mas não entrei. Não ainda . Dei uma volta no quarteirão. A ansiedade aumentava a cada passo, até que, sem nem perceber, meus pés me levaram de volta até a porta da loja. Parei por apenas alguns segundos, respirei fundo e entrei. O coração batia como se eu estivesse prestes a cometer um crime. Lá dentro, o cheiro de tabaco e papel, que eu esperava detestar, me trouxe um estranho conforto. O homem no balcão me olhou com curiosidade discreta. "Boa tarde. Posso ajudá-la?" " Marlboro Light", respondi, com uma firmeza que me surpreendeu. "Maço comum ou carteira?" Não fazia ideia da diferença. "Comum", arrisquei. "Vai precisar de isqueiro?" Isqueiro. Como não pensei nisso? "Sim, por fav...

Bem-vindos ao Novo Lar do Smoking Fetish no Brasil!

 É com imensa satisfação que inauguramos este espaço dedicado a todos os entusiastas e curiosos do smoking fetish no Brasil! Há muito tempo, percebemos uma lacuna na comunidade: o antigo blog "smokingfetishbrasil", embora tenha sido um ponto de encontro importante, foi infelizmente abandonado há anos. Comentários se acumularam, ultrapassando a marca dos 500 em muitas postagens, transformando a discussão em um emaranhado difícil de seguir e participar. Pensando nisso, criamos este blog com um propósito claro: facilitar a reunião e a troca de ideias entre as pessoas . Queremos que este seja um ambiente novo e vibrante onde todos possam se sentir à vontade para compartilhar suas perspectivas, discutir sobre o tema e se conectar com outros que compartilham esse interesse. Nosso objetivo é proporcionar uma plataforma intuitiva e dinâmica, onde os comentários sejam organizados e as conversas fluam naturalmente. Chega de se perder em centenas de respostas; aqui, a interação será si...