No vidro, o reflexo do meu rosto se misturava à paisagem. E, por um segundo, não soube dizer onde terminava o mundo e eu começava.
A garganta ainda coçava. Era como se minha pele não tivesse aceitado inteiramente a nova Joyce.
Uma parte de mim queria voltar para o quarto escuro da infância. A outra já caminhava por entre os campos altos daquilo que arde e transforma.
Lá embaixo, a neblina parecia
esperar. E o ônibus descia. E eu também.
Ted chiava recostado no banco, como se o mundo tentasse impedi-lo de escapar.
Sentado ao meu lado, no fundo do
ônibus, o lugar de costume dos que não querem ser notados, encostou a cabeça em
mim, fria e úmida, e fechou os olhos por um instante, como se já não tivesse
forças para continuar acordado.
O ônibus descia a serra. A estrada era estreita, de curvas longas e encostas verdes que pareciam não ter fim.
Eu amava aquela paisagem: as araucárias que se erguiam solitárias entre os
morros, esqueléticas, esguias, como sentinelas antigas vigiando o caminho. O
céu limpo. Claro. Transparente. Quase agressivo na sua pureza. Nenhuma nuvem.
Nenhuma distração. O sono me vinha.

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