Lá embaixo, a neblina formava um tapete espesso e branco, cobrindo os vales como um lençol estendido sobre corpos adormecidos. Apenas os topos dos morros despontavam, ilhados, como se flutuassem no vazio. A luz azulada da manhã entrava pela janela, tornando tudo mais lento, mais distante. As casas pequenas, as rochas, os galhos secos, tudo passava com a delicadeza de um devaneio.
E eu ali, observando.
Observando Ted.
Seu cabelo era
curto nas laterais e na nuca, com um pouco mais de volume no topo. Macio, liso,
obediente ao vento. A luz tocava seu rosto como se o esculpisse com calma. Ele
vestia tons de outono suave: uma camiseta Henley de algodão sob um cardigã de
lã, de botões discretos. Tudo sóbrio. Tudo passado. Sem uma ruga sequer. A
calça de sarja, de corte reto, caía-lhe bem. Nos pés, botas de couro com
cadarço, simples e sem alarde. Nenhuma tatuagem. Nenhum piercing. A pele jovem.
Os traços definidos. A expressão tranquila. Dormia com uma elegância quase
discreta, como quem aprendeu a ser bonito sem precisar chamar atenção.
Por um momento, fiquei ali, imóvel, só sentindo o peso leve de sua cabeça sobre meu ombro e o cheiro da lã do casaco misturado ao resto de colônia.
Uma parte de mim queria guardar aquilo para sempre: aquele silêncio, aquele calor brando, aquele quase-amor em estado de suspensão.
Mas a outra parte sussurrava que tudo aquilo era frágil.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários
Postar um comentário