Naquela manhã, eu acordei mais cedo do que o necessário. O sol ainda não havia rompido completamente as janelas, mas meu corpo já vibrava com uma ansiedade nova.
Enquanto escovava os dentes,
imaginei minha foto no crachá, o som do salto nos corredores, o perfume leve
que escolhi com cuidado. Vesti minha melhor roupa, ou o que, na época, eu
acreditava ser minha melhor roupa, e a sensação de zíper subindo pelas costas
me deu uma estranha dignidade, como se estivesse me fechando por dentro para
suportar o mundo lá fora.
O cheiro do café passado ainda
estava no ar quando meu pai chamou da porta: “Vamos?”.
Ele me levou de carro, em
silêncio. O rádio baixo, a cidade ainda meio vazia.
Eu via tudo pela janela com olhos
de quem achava que estava finalmente entrando na vida adulta.
Cada esquina parecia simbólica.
Cada semáforo, um portal. O volante nas mãos dele, o motor vibrando sob meus
pés, o banco de couro um pouco gasto: tudo ali era real demais.
Meu coração batia alto, rápido,
como o de uma garota indo para sua festa de debutante.
O carro estacionou diante de um
prédio sem graça, e meu pai disse apenas “boa sorte” antes de sair com pressa.
O prédio tinha corredores mal
pintados, salas abafadas, cartazes tortos colados com fita adesiva.
Eu havia sonhado tanto com aquilo. Com o diploma na mão e um crachá no pescoço. Mas tudo ali parecia uma simulação pálida da ideia que eu tinha de sucesso. Um lugar sem brilho, onde o tempo parecia andar de lado.

Este foi o primeiro dia de trabalho? Voltou um pouco na história?
ResponderExcluirSim. Contar como conheci Ted. Pq gostei dele.
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