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Aprendendo a Tragar (9)

Naquela manhã, eu acordei mais cedo do que o necessário. O sol ainda não havia rompido completamente as janelas, mas meu corpo já vibrava com uma ansiedade nova.

Enquanto escovava os dentes, imaginei minha foto no crachá, o som do salto nos corredores, o perfume leve que escolhi com cuidado. Vesti minha melhor roupa, ou o que, na época, eu acreditava ser minha melhor roupa, e a sensação de zíper subindo pelas costas me deu uma estranha dignidade, como se estivesse me fechando por dentro para suportar o mundo lá fora.

O cheiro do café passado ainda estava no ar quando meu pai chamou da porta: “Vamos?”.

Ele me levou de carro, em silêncio. O rádio baixo, a cidade ainda meio vazia.

Eu via tudo pela janela com olhos de quem achava que estava finalmente entrando na vida adulta.

Cada esquina parecia simbólica. Cada semáforo, um portal. O volante nas mãos dele, o motor vibrando sob meus pés, o banco de couro um pouco gasto: tudo ali era real demais.

Meu coração batia alto, rápido, como o de uma garota indo para sua festa de debutante.

O carro estacionou diante de um prédio sem graça, e meu pai disse apenas “boa sorte” antes de sair com pressa.

O prédio tinha corredores mal pintados, salas abafadas, cartazes tortos colados com fita adesiva.

Eu havia sonhado tanto com aquilo. Com o diploma na mão e um crachá no pescoço. Mas tudo ali parecia uma simulação pálida da ideia que eu tinha de sucesso. Um lugar sem brilho, onde o tempo parecia andar de lado.


"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Este foi o primeiro dia de trabalho? Voltou um pouco na história?

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  2. Sim. Contar como conheci Ted. Pq gostei dele.

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