Fui para o quarto, trancando a porta atrás de mim como se isso bastasse para me proteger do mundo. E fiquei ali, parada, ouvindo o som da novela, a voz do meu pai ainda resmungando alguma coisa, a chuva batendo na janela.
Na solidão do meu quarto, tudo parecia menor.
A cama onde eu sonhava com vidas que não eram minhas, a escrivaninha onde eu fingia estudar, as paredes que guardavam segredos de uma adolescência que se estendia além dos seus limites naturais.
Mas naquela noite, pela primeira vez, o quarto não me pareceu um refúgio.
Parecia uma prisão.
Deitei na cama com roupa e tudo, olhando para o teto.
A casa foi ficando silenciosa aos poucos.
Primeiro o pai, depois a mãe, depois apenas o som da chuva lá fora...

Quanto tempo passou desde de que havia fumado? Com todos esses problemas não pensou em acender um cigarro?
ResponderExcluirPassou bastante tempo
ResponderExcluirNão pensei