Na sexta-feira, Sofia chegou mais cedo do que todos. Deixou sobre a mesa dele um pequeno marcador de livro, de couro verde-escuro. Era quase imperceptível entre os papéis, a menos que se olhasse com atenção. Depois sentou-se, como se nada tivesse acontecido.
Quando ele chegou, seus olhos varreram a mesa com o cansaço habitual. Mas pararam por um segundo no objeto. Um leve franzir de sobrancelhas, um gesto mínimo. E então ele o pegou e guardou no bolso da calça.
Mais tarde, enquanto tomava café, os dedos de Ted passearam distraidamente pelo bolso. Sofia o observava de longe, os olhos fixos, o corpo imóvel. Ela viu. Mas fingiu que não.
Eu me perguntava por que ela insistia. Por que aquele jogo. Por que se colocava sempre no lugar da oferenda. Por que queria tanto ser notada naquele palco ridículo de vaidades e copos descartáveis.
Mas depois compreendi: não era por ele.
Era pelo reflexo. Pelo eco. Pelo olhar das outras. Sofia queria se ver brilhando nos olhos alheios. Precisava confirmar que era desejada. Que ainda estava no centro da sala. Que havia vencido.
E, de um jeito incômodo e incorrigível, eu entendi. Porque também queria isso. Não dela. Mas de alguém.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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