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Aprendendo a Tragar (35)

O dia seguia abafado. Mal havia me sentado quando a coordenadora surgiu pelo corredor com aquele entusiasmo automático, o tipo de energia que geralmente precede alguma exposição coletiva disfarçada de descontração.

Anunciou que faríamos uma dinâmica de integração. "Uma atividade para o time se conhecer melhor", disse. Assenti com a cabeça, tentando parecer segura, mas por dentro, algo já se encolhia. O velho aperto no estômago.

A sala de reuniões havia sido transformada numa arena improvisada. As cadeiras dispostas em círculo, uma cartolina colorida ao centro, canetinhas hidrocor espalhadas ao redor. 

Ted não estava. 

Mas Sofia, sim. Sentada de pernas cruzadas, mexia no celular com um ar entediado. Seus olhos passaram por mim como se eu fosse apenas parte do mobiliário. Reconheci alguns rostos, mas os nomes ainda me escapavam.

A coordenadora distribuiu palavras e explicou as regras do jogo: trabalho em equipe, liderança, escuta ativa, criatividade. Conceitos genéricos lançados no ar feito sementes lançadas em meio edáfico.

Fui empurrada para um grupo com mais quatro pessoas. Mal consegui entender a proposta e já me vi tropeçando nos detalhes, tentando participar sem saber exatamente como. Interrompi falas sem querer, confundi instruções, segui um caminho errado quando o grupo já havia decidido outro. A certa altura, percebi que estava fazendo o contrário do que esperavam. Usei palavras quando era para desenhar. Fui literal demais. Um erro básico, mas revelador.

Alguns tentaram disfarçar a frustração. Outros deixaram escapar comentários apressados, tentando corrigir sem ofender. Eu só queria desaparecer. Sentia-me uma relojoeira desajeitada com luvas de boxe. Cada tentativa de ajudar parecia piorar tudo.

No fim, nosso grupo ficou em último. A coordenadora elogiou genericamente o esforço de todos, mas seus olhos me atravessaram apressadamente, sem realmente me ver.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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