A porta da frente se fechou atrás de mim. A sala cheirava a cera de móveis, enquanto o odor de sabão em pó se espalhava pelo corredor.
A televisão estava ligada em alguma novela qualquer que ninguém assistia.
Minha mãe veio da cozinha, limpando as mãos no pano de prato. Seus olhos me percorreram dos pés à cabeça.
— Que postura é essa? Parece uma mendiga entrando na casa dos outros.
Endireitei os ombros automaticamente. Sorri, um gesto rápido, disfarçado de bom humor. Tirei os sapatos com cuidado e os alinhei no canto da porta.
— Não encosta nas paredes com essa blusa suada. Vai encardir.
Ela apontou a cozinha. Na pia, a louça já estava lavada. Na mesa, um prato com sobras de bolo estava coberto por uma pequena toalha. Quando passou por mim, apontou com o queixo enquanto mandava que eu me sentasse direito. "Não cruze as pernas assim, parece moça de rua. Pés paralelos, mãos no colo. Olha a postura."
— Oi, mãe.
“Oi, mãe, o quê?” Ela disse enquanto me perguntava onde estava o meu sorriso, afirmando que mulher que não sorri parece carrancuda e que ninguém gosta de gente carrancuda.
Forcei uma curvatura labial. Ela analisou o resultado com a meticulosidade de um inspetor de qualidade. Me deu um abraço. Sentou-se à mesa, na minha frente. Perguntou como tinha sido o trabalho com uma voz de quem não queria resposta; apenas cumprir o protocolo.
Ela havia encontrado uma "amiga" da igreja e essa amiga comentou com ela como eu andava séria, sem cumprimentar as pessoas direito, muito antipática.
Minha mãe, então, comparou-me à filha desta amiga: educada, elegante, que não ficava se oferecendo para homem nenhum.
Apontou para minhas roupas, dizendo que mulher direita não anda de calça colada. "Você pensa que isso é beleza? Isso é vulgaridade. Ninguém respeita mulher assim. Pensa que homem quer casar com isso?"
— Eu cumprimento, mãe.
Ela retrucou que cumprimentar não era só falar "oi". Era sorrir, perguntar como a pessoa está, demonstrar interesse genuíno. Disse que, se eu não fosse mais calorosa, mais simpática, ficaria sozinha.
A frase pairou no ar como uma profecia. Mulher antipática fica sozinha. Como se simpatia fosse uma commodity que eu precisasse produzir para merecer companhia humana.

Oi Joyce td bem só uma curiosidade vc já fez amor fumando um cigarro vc já teve essa experiência
ResponderExcluirBom dia Joyce tive a curiosidade de fazer essa pergunta se vc nao gostou peço desculpas
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