O sábado chegou disfarçado de leveza.
Ted havia me mandado mensagem cedo, animado, quase adolescente. Havia um pub que ele adorava. Tocaria uma banda cover dos Beatles.
Sorri para a tela como se meu rosto pudesse responder por mim. Disse que sim, que estava empolgada. Mentira parcial.
A empolgação era real, mas não nascida do evento, nascida dele.
O espelho do banheiro me devolvia uma imagem que eu ainda não reconhecia completamente.
Três semanas de namoro com Ted, e eu já estava aprendendo a mentir para os meus pais com a naturalidade de quem sempre soube que um dia precisaria.
Disse que sairia com algumas colegas do trabalho. Mencionei nomes neutros, inventados na hora. Eles assentiram com aquela indiferença típica de quem só se importa com a aparência da coisa.
Seja prudente, disse minha mãe, sem olhar nos meus olhos.
Se ela soubesse que essas "amigas" eram uma única pessoa, um homem que me pedia para fumar enquanto me observava com olhos que devoravam cada gesto, teria outro ataque de nervos.
Mas eu estava descobrindo que mentir era mais fácil do que imaginava, especialmente quando a verdade era algo que nem eu mesma entendia completamente.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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