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Aprendendo a Tragar (50)

Ted respirou fundo. 

A mão foi até o copo de cerveja, mas não bebeu. A banda agora tocava Yesterday. A ironia era quase cruel.

Contou que viu a ex no caminho para o evento. 

Vomitou, sem aviso. 

Seus novos amigos o ampararam. Sabiam de toda a história. Ele quis ir embora. Eles não deixaram. 

Durante o evento ficaram propositadamente o mais longe possível dela, mas ela dava um jeito. Se aproximava. Ria perto. Dançava com os novos amigos, completamente desconhecidos para ela. 

Como se dela fosse aquele território.

Me inclinei sem perceber. Queria entrar nesse território com ele.

Ted suportou o máximo possível. Até que, num rompante, pediu a uma das amigas novas que colocasse um colar. Um colar de prata que ele mesmo tinha dado à ex. No fim do namoro, fizera questão de que ela devolvesse. Guardou por raiva. E, naquela noite, levou no bolso.

A amiga topou. Dançou perto da ex, se virou de frente, passou a mão pelo colar, lenta, provocativa. A ex viu. Reconheceu. Saiu da festa correndo. Nunca mais falou com ele. Nunca mais tentou aparecer onde ele estivesse. Sumiu.

E ali, naquele exato momento, ele se sentiu livre. Pela primeira vez, desde o rompimento, estava verdadeiramente feliz.

Tirou do bolso da calça um chaveiro pequeno, gasto.

No final do show, ele tinha ido até o palco. Disse que o show tinha sido incrível. Um dos músicos sorriu, agradeceu e entregou o chaveiro com o logo da banda. “Anthology”. 

Ele ainda o carregava consigo, como um amuleto de defesa.

Falou com um sorriso cansado:

— “Naquela noite, eu me curei. Eu ri. Eu dancei. Eu fui: livre.”

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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