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Aprendendo a Tragar (55)

Naquela noite, deitada na cama, olhei para o teto e me perguntei se havia algo de quebrado em mim. 

Por que não senti nada? Por que meu corpo não respondeu? Por que tudo o que fiz foi observar e pensar?

Comecei a acreditar que talvez houvesse um defeito oculto em mim. Um erro de fabricação que me deixava imune ao amor e ao prazer. Talvez eu tivesse sido feita para ser só cérebro. Sem corpo. Sem pele. Sem vontade.

Na manhã seguinte, acordei com o barulho dos pássaros e o som de talheres sendo organizados na cozinha. A luz entrava pelas frestas das janelas de madeira e desenhava retângulos dourados no chão de cimento frio.

Algumas meninas já circulavam pelo gramado, rindo, ajeitando os cabelos, cochichando sobre os momentos especiais da noite anterior.

Vesti o casaco devagar, tentando atrasar o tempo. Lavei o rosto na pia externa, sentindo a água fria escorrer. Um lembrete físico de que eu ainda estava ali, de que aquilo tinha mesmo acontecido.

A impressão do beijo já havia sumido. Mas a ausência de gosto permanecia. Eu queria sentir alguma coisa. Qualquer coisa. Um arrependimento nítido, um rastro de desejo, até mesmo vergonha.

Mas o que restava era só silêncio. Não que isso importasse muito ali. No mundo, basta parecer feliz.

E eu já começava a me especializar nisso.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Joyce sua história é linda.

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  2. Nossa, que texto forte essa parte sobre olhar para o teto e se perguntar pq não senti nada me pegou de jeito. É muito corajoso colocar esse tipo de vulnerabilidade para fora.

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  3. Depois de TUDO o que rolou na noite anterior (que a gente acompanhou no 54 🥺), essa sua ressaca emocional é de quebrar. A gente se esforça pra ter o momento, tenta se abrir, e qnd não acontece nada... a culpa cai na gente. QUERIA dar um abraço em vc AGORA. Amo ❤️‍🩹

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  4. Joyce salvando meu final de domingo!
    Gente, mas a frase no mundo basta parecer feliz é a coisa mais real que eu li hoje. A gente passa a vida se especializando nisso e aí o vazio vem e a gente só pensa será que sou só eu que sinto isso? Eu te entendo TANTO, Joyce! Que bom que a ficha caiu pra vc. O que importa é sentir DE VERDADE 🤯

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  5. No mundo, basta parecer feliz. Essa frase é a realidade de muita gente, e a forma como você está se especializando nisso é triste de ler. Dá uma angústia, sabe? A escrita está impecável, parabéns!

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  6. MDS, seu surto interno é MUITO eu 😭 Essa sensação de 'por que meu corpo não respondeu?' é a PIOR coisa, de verdade. A gente fica se perguntando se é defeito de fábrica, sabe? Mas o final, 'Não era defeito. Eu era a pessoa errada, ali era o lugar errado.' UAU. Essa frase é TUDO. É a libertação! Vc escreve demais! ✨

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  7. Amei a parte talvez eu tivesse sido feita para ser só cérebro Parece a desculpa que a gente inventa pra não encarar a dor de não ter funcionado. Mas vc vai achou seeu lugar, CERTEZA. sua evulação tá sendo linda de acompanhar. Vai com tudo, menina, a gente tá aqui na torcida!

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  8. O alívio em ler a nota final: Não era defeito. Eu era a pessoa errada, ali era o lugar errado. Isso é tudo! É a libertação de uma culpa que a gente nem sabia que estava carregando. Essa postagem trouxe uma reflexão gigante sobre onde a gente se encaixa. Arrepiada aqui!

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