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Aprendendo a Tragar (59 - Final)

Seus lábios responderam ao meu impulso com uma doçura que me desmontou por dentro. Não houve pressa. Não houve mundo. Houve apenas aquele beijo.

Meu coração disparou de um jeito quase ofensivo. Eu, que sempre me guardei de tudo, me vi entregue a um gesto que não controlei. A cabeça girava. Havia engolido uma estrela em combustão.

O universo se comprimia naquele assento. No balançar do ônibus, nas curvas da estrada, nos soluços do motor. 

Minha pulsação vibrava nas pontas dos dedos, entre as coxas, nos ouvidos. Nunca me senti tão viva. Nem tão desprotegida.

Quando me afastei, ele ainda tinha os olhos fechados. Um leve sorriso na boca, o rosto de quem acabara de sonhar algo indecente. E eu estava assustada.

Fiquei em silêncio. O coração tropeçava dentro do peito sem reconhecer o próprio ritmo. Ele me olhou sem dizer nada. E o mais assustador foi ver que ele não parecia surpreso, apenas calado.

Disse bom dia, e sua voz tinha uma qualidade diferente: mais rouca, mais íntima. Respondi bom dia. E minha própria voz me soou estranha, alheia a mim.

Passei o resto da viagem olhando pela janela, fingindo paz. Mas por dentro, uma pergunta martelava com fúria: por quê?

Beijei-o porque naquele gesto havia uma intimidade mais avassaladora do que qualquer palavra. Porque eu precisava saber o que era ser desejante, não apenas desejada. Porque eu, que nunca soube tocar, toquei. E, no toque, descobri: estava viva.

Mas naquele momento, na praça, o beijei porque ardia, porque a pele não pedia licença.

Beijo-o com a boca aberta, com os dentes, com agonia. 

Meus dedos deslizavam pela nuca dele, seguravam-no firme. 

Ali ele era meu, e o seu corpo me obedecia.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Joyce quais serão seus próximos contos. Vc irá falar sobre suas idas as baladas fumando?

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  2. As noites sempre guardam histórias que a gente só entende quando a fumaça começa a se dissipar. Mas sim, ainda vem coisa das ruas, dos bares e de mim, em brasa. Acredito que vocês vão gostar.

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  3. Iniciante Tímido09 outubro, 2025

    Joyce, eu me identifiquei muito com a parte de estar assustada e sentir a cabeça girar. Ler o final dessa jornada me deu muita motivação. Eu ainda estou na fase de ter pânico dos meus pais e de me sentir "alheio a mim" (como você disse), mas você mostra que vale a pena lutar por esse impulso de se sentir vivo. O beijo, o cigarro, tudo é sobre se libertar. Muito obrigado por compartilhar sua história. Vou criar coragem, prometo! E que foto maravilhosa!

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  4. Joyce, que capítulo! A cena da praça, com a intensidade e a sua iniciativa, isso é o que todo homem admira! Você não teve medo de assumir o que queria, e essa atitude é de tirar o fôlego. O Ted chamando seu olhar de "bruxa" na foto, e você soltando que ele mal sabe o que o espera. É a definição de mulher fatal. O fetiche se torna real na sua confiança. Você é a mulher dos sonhos, Ted é o cara mais sortudo que existe. Ansioso para ver como você vai narrar a vida de casal de vocês!

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  5. JOYCE! Eu estou em lágrimas aqui! O "Aprendendo a Tragar" não era sobre cigarro, era sobre você aprender a viver e a se desejar! O seu relato sobre precisar ser desejante, não só desejada, é a coisa mais real que eu li na internet. Você se encontrou, mulher! E a parte na praça onde você diz "o seu corpo me obedecia"... é a sua liberdade falando mais alto. Que final lindo para essa fase! Parabéns pela coragem de contar essa história. E agora? Qual será o próximo capítulo da sua vida e do blog? Precisamos de mais Joyce! ❤️

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  6. Nossa, Joyce... eu tô arrepiada. Parece que você abriu a minha cabeça e escreveu o que eu sinto. Essa parte sobre precisar ser a "desejante" e não só a "desejada" me atingiu em cheio. Passo tanto tempo esperando as coisas acontecerem, com medo de tomar a iniciativa, com medo de querer de verdade. E a sensação de "fingir paz" no ônibus enquanto por dentro tá tudo um caos? É a minha vida resumida, hahaha. Ver você tomar as rédeas na praça me deu uma esperança tão grande! Você me inspirou a querer sentir essa mesma "magia" na minha vida. Obrigada por ser tão real e por mostrar que a gente pode, sim, aprender a tragar a vida de verdade. Parabéns por encerrar esse ciclo de forma tão linda. ❤️

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