Acordei antes do despertador, não porque o sono houvesse acabado, mas por uma sensação de ter sido expelida do próprio corpo. Não era ressaca, nem enjoo. Era um gosto amargo de ferrugem.
A garganta arranhava, uma lixa
entre o céu da boca e a base do pescoço. A saliva era espessa e amarga, como se
um demiurgo tivesse depositado uma fuligem acre enquanto eu dormia.
Tossi duas vezes. Não era forte,
mas era o suficiente. Tossi uma terceira, só para confirmar. A sensação
permanecia.
O peito incomodava, não uma dor
aguda, mas uma dor mansa, profunda, como se a fumaça da noite anterior ainda
estivesse ali dentro, procurando por onde escapar.
Sentei devagar na cama, com medo
de que o movimento acordasse algo que dormia em mim mais profundamente do que
eu mesma.
Havia uma leve tontura.
Levei a mão ao peito, tentando
entender aquele peso. Respirava fundo, mas o ar parecia encontrar umidade
demais no caminho. Como se os pulmões tivessem amanhecido encobertos.
Um nevoeiro interno.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."
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