O fim do dia chegou com o calor seco vibrando sobre o asfalto. Troquei de roupa três vezes, finalmente decidindo por um look rock-chique: jaqueta perfecto de couro preta, blusa vinho sensual de decote transpassado (com segunda pele invisível), minissaia rodada de couro, meia-calça arrastão sutil e botas de cano longo com salto grosso. Um cinto dourado queimado e uma bolsa tiracolo completavam o visual. O cabelo solto caía em ondas volumosas, e a maquiagem intensa nos olhos era arrematada por um batom vinho.
Minha mãe comentou sobre a roupa com
um olhar de desaprovação que não chegou a se transformar em palavras. Meu pai nem ergueu os olhos. Não sabiam sobre Ted. Não sabiam sobre os cigarros. Não sabiam sobre as rachaduras que começavam a me consumir.
O relógio marcou a hora. Me fez pular da cadeira. Peguei a bolsa e desci correndo as escadas, gritando um “tchau” apressado antes de sair pela porta.

Pessoal, vamos comentar. Bem que seja pelo menos um oi. 99% dos leitores, que já são poucos não dizem nem mesmo um oi.
ResponderExcluir“não sabiam sobre as rachaduras que começavam a me consumir”... que linha forte. simples e devastadora.
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