O banco era duro, o couro áspero. O volante, gasto nas bordas. Ali o tempo estava suspenso. Ted entrou do outro lado e o espaço dentro do carro se estreitou. Seu joelho encostou no meu, seu braço roçou meu ombro. Ele não se afastou.
Pegou minha mão com naturalidade e a conduziu até o volante, guiando meus dedos pelos contornos do couro velho. Não explicou nada. Apenas deixou que eu sentisse. O gesto, embora contido, trazia uma intimidade que o tornava quase indecente. Seu toque era lento, deliberadamente demorado. Sua mão permaneceu sobre a minha mais tempo do que o necessário; desejei que ficasse ali para sempre. O clique da câmera passou despercebido.
Fiquei com as mãos no volante, sentindo o calor do corpo dele irradiar pela lateral. O mundo exterior havia se dissolvido.
Ele então levou minha mão ao câmbio.
— “Nunca tenha medo de errar. O erro é parte do aprendizado.”
Eu estava ali, atenta à sua proximidade, à forma como sua voz ficava mais rouca quando falava baixo, e ao jeito como seus dedos se moviam sobre os meus.
Pisei na embreagem, engrenei a primeira marcha e soltei lentamente. O Corvette, ainda desligado, não se moveu. Senti uma euforia inexplicável.
— “Sinta o motor”, disse, retirando a mão. “Escute o que ele está dizendo.”
Fechei os olhos. Imaginei a estrada. O vento entrando pelas janelas. As mãos firmes no volante. Um mundo onde eu mesma decidia o caminho, a velocidade, a parada. A fantasia parecia pequena, mas algo dentro de mim se dilatou com ela.
Quando saímos do carro, o dono nos agradeceu com simpatia. Seguimos andando. Algo na noite havia mudado de textura. Meus passos estavam mais longos, os ombros mais retos. Ted caminhava ao meu lado, mas os olhos estavam sobre mim. Naquela hora, mais do que o toque ou a presença, era isso que me desarmava.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Que cena indecentemente íntima! O toque dele, lento e "deliberadamente demorado" sobre suas mãos no volante.
ResponderExcluirA sua fantasia é poderosa: "Um mundo onde eu mesma decidia o caminho, a velocidade, a parada." E a mudança é visível: "passos mais longos, os ombros mais retos".
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