Com as mãos pesadas pelas compras do supermercado, subi os degraus até o terceiro andar. A sacola de hortaliças balançava ao lado da perna, exalando cheiro de terra fresca, e, ao alcançar o patamar, percebi a porta do apartamento ao lado entreaberta. Minha mãe estava ali. O olhar dela encontrou o da vizinha e, sem cerimônia, disparou:
— A blusa dessa menina está apertada demais para uma moça decente.
Vi o sorriso da vizinha se alargar, complacente.
A raiva me queimou as costelas, ardeu atrás dos olhos. Fiquei ali, parada, os dedos em torno da alça, esperando minha mãe me deixar entrar.
Eu precisava desaparecer um pouco.
Esperei que ela se perdesse nas tarefas domésticas. A cozinha já exalava gordura morna quando peguei minha bolsa e desci as escadas.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários
Postar um comentário