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Coisa de Pele (27)

O ônibus balançava de leve. As luzes da cidade passavam pelas janelas; eu olhava pela vidraça, mas não via nada. Ted falava ao meu lado, comentava sobre um filme novo, algo retrô com garotas perigosas, e me convidava para o cinema.

Respondi que não.

Ele riu baixo, desconcertado. Não sabia se havia ouvido direito ou se era uma piada. Disse que tinha algo para fazer, mas era mentira. Pela primeira vez, eu dissera não a ele. Não por estar ocupada, nem por falta de vontade; acho que só não queria ceder.

Ted não insistiu. Apenas assentiu, um pouco surpreso, e voltou o olhar para a frente. O resto do caminho seguiu em silêncio.

Desci no ponto de sempre, mas não fui direto para casa. Cruzei a rua e entrei na praça quase deserta. As árvores se curvavam sob o peso da noite, e o frio fazia o asfalto parecer mais distante dos pés. No centro da praça, o gazebo de ferro fundido abrigava uma nascente de águas cálidas; vapores subiam em espirais tênues, se dissolvendo no ar.

Sentei no banco de madeira em frente à estrutura. A umidade tornava tudo mais denso. Tirei o maço da bolsa, acendi com calma. Traguei; o calor do cigarro contrastava com o frio úmido da noite. A fumaça subia e se misturava ao vapor da fonte, não dava mais para distinguir uma coisa da outra.

Respirei fundo. Sentia algo pulsar dentro de mim, uma presença esquecida, uma alegria estranha sem motivo. O tabaco tinha sabor de poder.

Fiquei ali, deixando a fumaça e o vapor me envolverem. A brisa fria colava nos fios de cabelo úmidos e fazia os ombros tremerem levemente.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

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