Ali estava Sofia. Me contava
sobre sua paixão pelo homem com quem eu estava me envolvendo. Pedia minha ajuda
para conquistá-lo. E eu não podia dizer nada. Eu não podia contar que Ted já
estava na minha vida. Que talvez eu também estivesse me apaixonando por ele.
As palavras saíram da minha boca
antes que eu pudesse detê-las.
— Acho que entendi por que você
gosta do Ted.
Ela parou de falar, os olhos
fixos em mim, atentos. Me arrependi imediatamente. De que maneira explicar que
eu o conhecia bem o suficiente para compreender a atração dela? Tentei
consertar, disse para ela esquecer o que eu tinha dito. Mas Sofia não era o
tipo que deixava passar. Se inclinou ainda mais, e eu reconheci o tom na voz,
aquela insistência que vinha carregada de certezas. Queria saber. Queria ouvir.
Senti o coração acelerar. Olhei
para ela, para a expectativa visível em seu rosto, e soube que qualquer
resposta seria arriscada. Mas não dizer nada também seria.
Falei sobre a forma como ela
descrevia Ted. Da atenção, da ausência de julgamento, da sensação de poder ser
quem se é sem precisar esconder nada. Ela assentiu, ainda me olhando. Continuei
tentando manter o tom neutro, disse que isso era raro, que a maioria das
pessoas quer uma versão editada, que ele parecia ser do tipo que deixava
espaço.
Ela sorriu.
— Você fala como se conhecesse
ele.
Foi nesse momento que vi Ted
abrindo caminho entre as pessoas na calçada. Sofia seguiu meu olhar; o rosto
dela se iluminou quando reconheceu ele. Ele se aproximou, cumprimentou Sofia
com um aceno e, em seguida, se virou para mim. Sem hesitar, me deu um beijo no
rosto — um gesto tão natural que, por um segundo, esqueci onde estávamos. Senti
Sofia nos observando, registrando cada detalhe da interação.
Ted estava prestes a dizer algo,
mas um carro parou na rua ao lado; alguém gritou seu nome pela janela. Ele
olhou para o carro, depois para nós, disse que precisava ir, mas que tinha
gostado de nos encontrar. Acenou para Sofia e, então, olhou para mim por mais
um segundo. Pareceu que queria dizer algo, mas apenas sorriu e saiu, caminhando
em direção ao carro.
Sofia apagou o cigarro com o pé,
os olhos ainda fixos na rua onde Ted havia desaparecido. Atravessou a rua sem
dizer nada, entrou no bar em frente e comprou um novo maço de Marlboro
vermelho. Saiu, parou em cima do paralelepípedo, levantou a gola se protegendo
do frio e acendeu outro cigarro. E então me olhou. A luz do letreiro de neon
atingia seus olhos.
Ela ficou ali, do outro lado da
rua, observando a mim, aos bêbados que entravam e saíam do bar, à noite. Depois
voltou, disse que estava tarde, que precisava dormir, e foi embora, caminhando
sozinha.

Joyce você estava num lugar tão difícil. O conflito entre a lealdade à amiga e a verdade dos seus próprios sentimentos é devastador. Ela tenta navegar isso com cuidado, mas um simples gesto entrega tudo.
ResponderExcluirO silêncio da Sofia ao final é a parte mais assustadora. Você sabe que ela está processando tudo e que nada vai ser como antes. Arrepiante.
ResponderExcluirO q mais me imprenssiona é o uso dos detalhe miinimos pra transmitir uma mudanca. o beijo no rosto o aceno pra sofia o sorisso final do ted sao açoes comunns mas aqui sao carregadas de um significado q destroi a faixada q a narradora tento manter. A reaçao da sofia meticullosa e cilenciosa comprar o cigarro a gola o olhar sob a luuz de neon mostra uma personagem q é mto mais observadora e peligosa doq aparentava
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