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Coisa de Pele (36)

Ali estava Sofia. Me contava sobre sua paixão pelo homem com quem eu estava me envolvendo. Pedia minha ajuda para conquistá-lo. E eu não podia dizer nada. Eu não podia contar que Ted já estava na minha vida. Que talvez eu também estivesse me apaixonando por ele.

As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse detê-las.

— Acho que entendi por que você gosta do Ted.

Ela parou de falar, os olhos fixos em mim, atentos. Me arrependi imediatamente. De que maneira explicar que eu o conhecia bem o suficiente para compreender a atração dela? Tentei consertar, disse para ela esquecer o que eu tinha dito. Mas Sofia não era o tipo que deixava passar. Se inclinou ainda mais, e eu reconheci o tom na voz, aquela insistência que vinha carregada de certezas. Queria saber. Queria ouvir.

Senti o coração acelerar. Olhei para ela, para a expectativa visível em seu rosto, e soube que qualquer resposta seria arriscada. Mas não dizer nada também seria.

Falei sobre a forma como ela descrevia Ted. Da atenção, da ausência de julgamento, da sensação de poder ser quem se é sem precisar esconder nada. Ela assentiu, ainda me olhando. Continuei tentando manter o tom neutro, disse que isso era raro, que a maioria das pessoas quer uma versão editada, que ele parecia ser do tipo que deixava espaço.

Ela sorriu.

— Você fala como se conhecesse ele.

Foi nesse momento que vi Ted abrindo caminho entre as pessoas na calçada. Sofia seguiu meu olhar; o rosto dela se iluminou quando reconheceu ele. Ele se aproximou, cumprimentou Sofia com um aceno e, em seguida, se virou para mim. Sem hesitar, me deu um beijo no rosto — um gesto tão natural que, por um segundo, esqueci onde estávamos. Senti Sofia nos observando, registrando cada detalhe da interação.

Ted estava prestes a dizer algo, mas um carro parou na rua ao lado; alguém gritou seu nome pela janela. Ele olhou para o carro, depois para nós, disse que precisava ir, mas que tinha gostado de nos encontrar. Acenou para Sofia e, então, olhou para mim por mais um segundo. Pareceu que queria dizer algo, mas apenas sorriu e saiu, caminhando em direção ao carro.

Sofia apagou o cigarro com o pé, os olhos ainda fixos na rua onde Ted havia desaparecido. Atravessou a rua sem dizer nada, entrou no bar em frente e comprou um novo maço de Marlboro vermelho. Saiu, parou em cima do paralelepípedo, levantou a gola se protegendo do frio e acendeu outro cigarro. E então me olhou. A luz do letreiro de neon atingia seus olhos.

Ela ficou ali, do outro lado da rua, observando a mim, aos bêbados que entravam e saíam do bar, à noite. Depois voltou, disse que estava tarde, que precisava dormir, e foi embora, caminhando sozinha.

"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Comentários

  1. Joyce você estava num lugar tão difícil. O conflito entre a lealdade à amiga e a verdade dos seus próprios sentimentos é devastador. Ela tenta navegar isso com cuidado, mas um simples gesto entrega tudo.

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  2. O silêncio da Sofia ao final é a parte mais assustadora. Você sabe que ela está processando tudo e que nada vai ser como antes. Arrepiante.

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  3. O q mais me imprenssiona é o uso dos detalhe miinimos pra transmitir uma mudanca. o beijo no rosto o aceno pra sofia o sorisso final do ted sao açoes comunns mas aqui sao carregadas de um significado q destroi a faixada q a narradora tento manter. A reaçao da sofia meticullosa e cilenciosa comprar o cigarro a gola o olhar sob a luuz de neon mostra uma personagem q é mto mais observadora e peligosa doq aparentava

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