Meu corpo, quase nu, recostado na
penumbra, emitia calor. A camisola solta mostrava mais do que escondia. O
cigarro aceso entre os dedos fazia do meu silêncio um espetáculo íntimo,
deliberado. Eu sabia o que fazia. Sabia o que mostrava.
A fumaça pairava entre nós, um
convite. Ele ainda estava deitado, o corpo estendido sobre o lençol, uma perna
dobrada, a mão sob a nuca. A luz do abajur desenhava contornos no peito coberto
de sombra. Os olhos dele estavam em mim.
Traguei outra vez, mais fundo.
Mantive a fumaça nos pulmões enquanto me levantava. O baby doll roçava a pele,
tecido aderente a cada movimento preguiçoso. Senti o cigarro queimando entre os
dedos.
Fui até a janela. Abri apenas uma
fresta. A brisa noturna invadiu o quarto, tocou minhas coxas nuas e colou a malha
leve na curva dos quadris. Soprei a fumaça para fora, o corpo arqueado. O frio
entrou, minha pele se arrepiou, fechei a janela novamente.
Virei-me devagar. Meus olhos
encontraram os dele. E sorri. Um sorriso pequeno, enviesado. Um fio de
provocação.
Caminhei até sua cama, parei no
meio do caminho.
Fiquei de lado para ele. Traguei
outra vez.
Depois, virei o rosto em sua
direção e soprei, direto para o ar que nos separava. A nuvem cinza viajou até
ele, um toque etéreo, um beijo imaterial.
Inclinei a cabeça, deixei o
cabelo cair sobre o ombro. Levei o cigarro aos lábios mais uma vez, sem pressa,
e o mantive ali. Respirei apenas por ele. Naquele instante, meu corpo inteiro
era boca.
Sentei-me na beirada da cama de
novo, de frente para ele, uma perna dobrada, a outra esticada. O baby doll
subia nas coxas, deixava escapar o elástico fino da calcinha. Acendi outro
cigarro, com um leve estalo do isqueiro vermelho. O som fez o olhar dele se
estreitar.
Cruzei as pernas. Estiquei o
braço para o lado, a cinza pendendo, um peso frágil prestes a ceder. Depois
levei a brasa até a boca mais uma vez, o olhar fixo no dele.
Por fim, soprei para cima. A
fumaça subiu em espirais lânguidas, numa dança lenta com o tempo.
Ele ainda não havia se movido.
Mas os músculos do maxilar se contraíam. O peito subia e descia com mais peso.
A tensão se acumulava nos olhos. Não havia uma palavra.
A fumaça ainda ondulava no ar quando ele apoiou as mãos ao lado do meu corpo.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."
Menina do ceu que calor é esse??? 🔥🔥 Joyce vc n tem dó da gente nao. Fiquei imaginando a cena toda aqui... queria ter essa coragem (e esse baby doll kkkk). Continua logooo n para nessa parte pff
ResponderExcluirQue bom que esquentou as coisas por aí! A coragem vem com o tempo. A continuação está no forno!
Excluir"meu corpo inteiro era boca". Uau. Senti isso. ❤️
ResponderExcluirÀs vezes a gente so quer ser olhada assim né? Sinto falta disso no meu casamento, ta tdo mto morno. Se eu soprar fumaça na cara do meu marido ele tosse e reclama do cheiro kkkk rindo de nervoso
Essa frase realmente capta o momento. E sim, ser olhada assim é um desejo universal. Sinto muito pelo seu marido!
ExcluirJoyce vc quer me matar ne?? A parte que vc segura a fumaça e levanta... mds. Fiquei imaginando o tanto que vc tragou fundo pra aguentar isso tudo. E o jeito que a fumaça sai densa depois... perfeição.
ResponderExcluirTem que ter fôlego para o show! Fico feliz que a fumaça densa tenha causado o efeito desejado.
ExcluirO detalhe da cinza pendendo... afff q agonia deliciosa. Eu tenho mto tesao nisso, fico torcendo pra nao cair mas querendo q caia na sua perna ou na roupa. Vc brinca mto com a sorte kkkk Musa.
ResponderExcluirA cinza é a cereja do bolo da tensão! Gosto de brincar com a sorte, sim.
ExcluirAmigaaa vc é minha inspiraçao! To tentando treinar esse olhar enquanto fumo mas sempre acabo rindo kkkk.
ResponderExcluirHaha! O riso faz parte, mas o olhar vem com a prática! Fico feliz em inspirar!
ExcluirAii sim hein emendou um no outro... Chain smoker total 😍 Nao tem nada mais sexy que mulher que precisa da nicotina e nao esconde. Qdo vc acendeu o segundo ele ja devia ta louco. O barulho do isqueiro é gatilho dmais pra mim.
ResponderExcluirO segundo cigarro foi a certeza de que a noite ia ser longa.
Excluirvc n tem noçao do poder q tem c esse cigarro na mao. a parte do "beijo imaterial" foi foda. da pra sentir o cheiro daki.
ResponderExcluirO poder estava todo no cigarro!
ExcluirGataaaa q baby doll é esse? Fica lindo c o cigarro. Eu amo fumar de lingerie tb, me sinto poderosa. Mas meu namorado reclama da cinza na cama kkkk o seu pelo jeito curtiu. Quem me dera.
ResponderExcluirA lingerie nos dá um superpoder, não é?
Excluiro "estalo do isqueiro vermelho". detalhe q faz a diferença. curto mto qdo a mulher acende sozinha, mostra independencia. chega de homem acendendo cigarro de mulher. vc domina a situação. parabens pelo relato, fiquei duro lendo.
ResponderExcluirCom certeza, o isqueiro nas minhas mãos é um sinal de que eu domino o momento.
ExcluirPerfeita.
ResponderExcluirObrigada, Anna! Um elogio que resume tudo!
Excluir. Muito obrigada pelos comentários. Pelo jeito, a tensão no quarto de hotel fez sucesso!
ResponderExcluirnossa, me deu ate um frio na barriga. a cena do beijo de fumaça é muito real, parece que to la vendo tudo. queria ter essa coragem toda! 😍
ResponderExcluirafff, li isso no trabalho e quase morri kkkk. A tensão sexual nesse texto tá absurda. A parte do elástico da calcinha escapando é um toque de mestre. Ja li umas 3 vezes.
ResponderExcluirgente, que delicia de texto. A cena da janela, o frio na pele, o tecido colando... fez eu sentir tudo aqui. Muito bem escrito, de vdd. Errei td é celular mas precisava falar isso.
ResponderExcluirA pessoa que nunca viveu isso não sabe a dimensão do que vc descreveu. A fumaça realmente vira uma extensão do toque, um beijo mesmo. Sensacional.
ResponderExcluirn consigo parar de pensar nesse texto. A imagem dela sentada na cama com a perna dobrada, a calcinha aparecendo... e ele la, só olhando, já perdido. Isso é tudo pra mim!
ResponderExcluirIsso não é um texto, é uma sessão. Conseguiu capturar a essência do fetiche: o poder, o controle, o visual e o ritual. Simplesmente perfeito. O final com ele finalmente se movendo... arrepiei tudo.
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