Sob a luz do abajur, eu era
tingida de um vermelho ritualístico. Deslizei a mão por dentro de sua calça e senti
o peso, a firmeza, a resposta crua de seu corpo ao meu controle. Eu era avesso de mulher. Puro instinto. Deixei de ser espectadora do meu desejo.
Agora, eu era ele.
Quando finalmente entrou em mim,
o mundo parou. Não foi dor. Foi expansão. O corpo se abrindo para algo maior
que ele mesmo. Meus quadris o acolheram em reconhecimento imediato. Pressão e
preenchimento. A respiração flutuava no quarto, um véu entre mundos.
O prazer surgiu sutilmente, uma
percepção crescente que se insinuava à medida que o corpo se adaptava. Eu o
recebia com as pernas bem abertas, firme, os cabelos colados na testa, os seios
oscilando sob o tecido frouxo.
A respiração dele ainda era
acelerada quando os movimentos cessaram. Ficamos ali, colados, suados,
silenciosos. A luz do abajur perdeu a intensidade, repousando exausta. Meu
coração ainda pulsava, desacelerando em ondas que reverberavam pelo ventre.
Mas, junto com o calor, veio o
vazio. Não era tristeza. Não era culpa. Era algo mais tênue, mais difícil de
nomear. Um som abafado dentro da pele, uma batida sem destino.
Ted me abraçou enquanto estávamos
deitados na cama, esperando o sono chegar. Havia ternura no gesto. E também
ausência. Fiquei com os olhos fixos no teto. O tecido frio sob as costas, a
umidade começando a arrefecer. As marcas dele em mim não eram visíveis, mas
estavam lá: impressas em silêncio.
Por um instante, quis levantar,
ir ao banheiro, lavar tudo, apagar qualquer vestígio. Depois desejei que ele
dissesse algo. Qualquer coisa. Mas ele apenas respirava fundo, distante.
A sombra do quarto tornou-se mais
pesada. Fechei os olhos, o gosto dele ainda na boca. O corpo estava calmo, a
pele quente. A sensação era estranha. Senti uma vontade de chorar enquanto meu
corpo, finalmente ouvido, relaxava por dentro. A mente ainda tentava nomear
tudo o que havia acontecido.
Eu não me sentia menor por ter agido; sentia-me inteira.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."
Caralho Joyce, que texto. 🚬🔥 A parte do avesso de mulher me pegou muito. Vc descreve as coisas de um jeito que parece que a gente tá lá no quarto sentindo o cheiro de vcs.
ResponderExcluirQue bom que essa parte te tocou. Foi exatamente a sensação: descobrir um eu que eu não conhecia. Obrigada por ler!
Excluirnss, chorei no final. srio. essa sensação de vazio dpois do sexo eu sinto mto isso as vezes. parece q a gnt da tudo e dpois sobra so a carne ali esfriando. mto forte o relato joyce
ResponderExcluirImaginar vc se entregando pro Ted desse jeito...
ResponderExcluir“O corpo se abrindo para algo maior que ele mesmo.” Que lindo, Joyce. Ver você contando dessa fase, da sua "iniciação" com o Ted, está sendo incrível.
ResponderExcluireita 🔥🔥🔥🔥
ResponderExcluirMenina do ceu!!!! q calor q me deu aqui. o ted parece ser aquele tipo de homem que destroi a gente e a gnt pede obrigada kkkk amei. mas fiquei triste com a parte do silencio dele. homem é foda né, as vezes tao longe msm estando perto.
ResponderExcluirSim, o Ted é uma força da natureza. Você resumiu perfeitamente. Beijo!
ExcluirTexto impecável, Joyce. A construção da atmosfera, a luz vermelha, o ritual. Você elevou o fetiche a algo quase religioso aqui. Parabéns pela coragem de expor essa vulnerabilidade.
ResponderExcluirgnt to passada. a descrição da dor virando expansao, arrepiei todinha. kd a continuação?? n demora p postar pfvrr, preciso saber se vcs fumaram dpois kkkk o gosto dele na boca era de tabaco?? 🚬🚬
ResponderExcluirNossa Senhora. Sem palavras. So imaginando a cena.
ResponderExcluirAi joyce, me deu um aperto no coração esse final. marcas impressas em silêncio. o ted te amava ou era so posse? as vezes fico na duvida lendo seus textos antigos. mas que foi quente foi uff.
ResponderExcluirVc escreve mt bem, mas da uma aflição dele nao falar nada depois.
ResponderExcluirO "gosto dele na boca" imagino que seja aquele gosto amargo e delicioso de quem fuma muito. 🖤 Que postagem sensual e melancólica ao mesmo tempo. Adorei.
ResponderExcluirrelato mto foda, vc tem o dom.
ResponderExcluirEu entendo esse "vazio". É a adrenalina baixando, né? O contraste entre ser possuída e voltar a ser só você mesma no quarto escuro. O cigarro geralmente preenche esse vazio pra mim. Vc acendeu um logo em seguida?
ResponderExcluirExatamente, Juju! É o 'vazio' de tudo que se foi e a volta pra realidade. Sobre o cigarro, não, eu tinha fumado muito durante.
Excluirli gora no onibus e tive q me segurar aqui kkkkkk pqp joyce vc quer matar a gnt do coração. mto bom
ResponderExcluir"Eu não me sentia menor por ter agido; sentia-me inteira." ISSO!! Exatamente isso. As pessoas acham que submissão ou fetiche diminui a mulher, mas as vezes é onde a gente mais se encontra. Amei dmais esse texto, um dos melhores do blog ate hj.
ResponderExcluirÉ a sensação de se encontrar no próprio desejo, né? Fico muito feliz que você tenha gostado. Esse é um dos meus favoritos também!
ExcluirPesado e lindo.
ResponderExcluiro ted eh mto intenso mds queria um desse p mim mas acho q ia sofrer kkkk. amei o post flor 💋🚬
ResponderExcluirA luz vermelha do abajur. Clássico. Dá pra visualizar perfeitamente a fumaça (mesmo que você não tenha citado ela agora) dançando nessa luz antes de tudo acontecer.
ResponderExcluirgente q final triste?? ele nem fez um carinho?? so "respirava fundo distante"? ai nao sei se eu aguentava nao kkkk mas a parte do ato foi 10/10
ResponderExcluirJoyce, sua escrita tá cada vez melhor. Esse misto de tesão e solidão é a essência do fetiche, né? Aquela busca eterna. Aguardando o próximo post ansiosamente (e espero que tenha muita fumaça no próximo rs).
ResponderExcluirJoyce, que texto brutalmente honesto e necessário. Tive que comentar novamente. A forma como você descreve a transição de "espectadora do desejo" para ser o desejo é uma das coisas mais poderosas que já li. É a representação exata de quando a gente para de apenas sentir e começa a agir o próprio instinto. Você colocou em palavras um momento de descoberta que muitas mulheres vivenciam, mas poucas conseguem nomear. Me identifiquei profundamente.
ResponderExcluirQue bom que você voltou para comentar de novo!
ExcluirÉ exatamente essa a chave: sair de espectadora e virar o instinto puro. É um alívio ser honesta sobre isso. Fico feliz que tenha se identificado tanto! Obrigada pelo seu carinho.
O que mais me tocou nesse seu relato sobre o início com o Ted foi a dualidade. A cena é incrivelmente sensual e visceral, mas você não romantiza. Mostra a expansão, a plenitude física, e na sequência, sem transição brusca, aquele vazio que chega silenciosamente. A descrição desse vazio como "um som abafado dentro da pele" foi genial. É exatamente essa a sensação, uma ressonância de algo que já se foi.
ResponderExcluirdelicia de conto. vc nunca decepciona.
ResponderExcluirA parte final me pegou demais. A vontade de levantar e lavar tudo contrastando com o desejo de que ele dissesse algo e o silêncio dele pesando mais que qualquer palavra. É a solidão de dois corpos que estiveram unidos mas as almas não necessariamente se encontraram naquele instante. É tão real. A sensação de se sentir inteira no final, apesar de tudo, é a maior vitória. Obrigado por compartilhar algo tão íntimo e verdadeiro.
ResponderExcluirmto profundo joyce. me vi nas suas palvras. a primeira vez marca dms a gente, inda mais com um kra experiente igual o ted. bjos linda.
ResponderExcluir“Não foi dor. Foi expansão.” Guardei essa frase. Absoluta.
ResponderExcluirA maneira como descreves o silêncio é ensurdecedora, Joyce. Esse vazio depois do êxtase é o preço que se paga por tamanha intensidade.
ResponderExcluirAdorei como a linguagem do texto acompanha o ritmo do corpo. As frases são mais curtas e decisivas no ato, e depois ficam mais lentas, reflexivas, enquanto o corpo esfria e a mente começa a processar. A imagem da luz do abajur "repousando exausta" é linda e diz tudo sobre o estado de vocês dois. É literatura pura. Seu blog é um achado!
ResponderExcluirJoyce, sua coragem de narrar a sexualidade feminina sem filtros é um sopro de ar fresco. Você não se limita ao prazer, mas avança para as marcas invisíveis, a ternura que contém ausência, a estranheza do depois. Essa honestidade sobre a complexidade do sexo que pode ser ao mesmo tempo poderoso e um pouco solitário é rara. Me fez refletir sobre as minhas próprias experiências. Parabéns pelo texto.
ResponderExcluirfiquei à espera que ele acendesse um cigarro para te dar seria o consolo perfeito naquele momento de vazio. mas se calhar o silêncio foi necessário. adoro a tua escrita, é viciante 🚬🖤
ResponderExcluirEpa brutal Tou aqui a imaginar a cena toda com a luz vermelha. A descrição do avesso de mulher é qualquer coisa de genial. Continua a postar, a malta está a curtir muito esta fase do passado.
ResponderExcluirn sei se tenho pena ou inveja lol. o final foi triste mas bonito ao mm tempo. parece que ele te moldou ali msm, sem dizer uma palavra. medoooo mas tbm quero kkkk
ResponderExcluircaramba esse texto me pegou de jeito. o jeito q vc descreve o momento, a respiraçao, o vazio depois mto real. senti como se eu tivesse ali vendo vc acender um cigarro logo depois, com o corpo ainda tremendo. incrível demais, joyce.
ResponderExcluirNossa, menina, arrepiei todinha aqui. Sua sinceridade bate forte. Essa primeira vez tão crua e bonita. fiquei imaginando vc tragando devagar logo depois, acalmando o peito. seu jeito de escrever é um vício.
ResponderExcluirpqp q relato. dá até um nó no estômago ler isso. essa mistura de tesão + silêncio + aquele peso no ar… vc manda mto. se um dia vc escrever sobre o primeiro cigarro depois dessa noite, eu desmaio kkkk
ResponderExcluirvc escreve de um jeito q me deixa meio zonzo, sério. parece q sinto o cheiro da pele quente, o quarto abafado e o cigarro q vc n descreveu mas q eu juro q senti. continuaaa
ResponderExcluirgente, q coragem contar assim. sem firula. sem romantizar demais. só a sensação pura. isso me pega tanto pq lembro da minha primeira vez tb, aquele silêncio gelado no final obrigada por esse texto.
ResponderExcluirme quebrou no meio aqui. tem coisa q a gente não põe em palavra e vc põe. e fica lindo e triste e quente tudo de uma vez. adoro como vc mistura desejo e pensamento, como se estivesse tragando a lembrança.
ResponderExcluirsempre venho aqui pq vc escreve de um jeito fumegante. esse trecho então parece fumaça densa, q entra devagar e arde um pouco. senti cada parte. obrigada por dividir isso.
ResponderExcluirli 3 vezes. n sei explicar. a parte do expansão putz. descreveu tudo sem descrever demais. arrepiou.
ResponderExcluirpow vc escreve como quem exala. dá vontade de acender um cig agora só pra acompanhar a vibe. Ted deve ter ficado maluco com vc.
ResponderExcluirvc tem uma coisa q ninguém mais tem: sinceridade quente. parece confissão dita entre uma tragada e outra. teu jeito me prende mto.
ResponderExcluirEstou emocionada de ver como este texto tocou tantos de vocês. É um texto bem vulnerável, e saber que vocês entenderam o 'vazio', a 'expansão' e a complexidade do Ted e daquele momento é muito importante para mim.
ResponderExcluirMuito, muito obrigada pelo apoio e por todos os elogios à escrita! Vocês são a melhor parte do blog. Em breve volto com a continuação.
Um beijo enorme e fumegante para todos!