Ted apoiou a xícara na mesa e
deixou que um fio de lembrança se soltasse. Foi então que começou a falar da
infância. Me contou que, uma vez, quando criança, acordou cedo em um sábado.
Ligou a TV esperando ver os desenhos de sempre, mas não estavam passando os
curtas usuais. Estava passando um longa: O Gigante de Ferro. Era sobre um robô
gigante que caía do céu.
Fiquei em silêncio. Ele
continuou, com a voz leve, mas firme. No começo, o robô não sabia quem era. Só
sabia que era grande, forte, e que todos pareciam ter medo dele. Mas ele era
gentil. Curioso. Começou a aprender coisas com um garoto, palavras, gestos. Mas
então ele descobre que era uma arma. E aquilo ficou na cabeça do robô. Porque
ele podia destruir. Porque talvez tivesse sido feito para isso. Mas ele não
queria ser isso.
Ted olhou para mim. Os olhos
sérios, calmos, limpos.
No fim, o robô escolheu. Escolheu
ser outra coisa. Escolheu não ser uma arma. Escolheu se destruir para que todos
ficassem seguros. Porque, naquele momento, ele entendeu que não era o que
fizeram dele. Nem o que esperavam que ele fosse. Ele era o que escolhia ser.
Coloquei o café no banco. Adorava
ver Ted falando. O brilho dos seus olhos, seus lábios se movendo.
Aquilo o marcou. Porque o fez
pensar que talvez não existisse uma essência. Talvez a gente fosse só o que
consegue sustentar. E que criar um “eu” para o mundo podia parecer liberdade,
mas às vezes era só medo. Medo de ser imperfeito. De ser incompleto.
Ted tocou minha mão.
— A plateia é você. O resto é
eco.
Ted terminou o café e se levantou
devagar. Observei-o caminhando de volta ao prédio. A luz dourada que recortara
seus ombros agora se afastava junto dele.
O isqueiro ainda estava no meu
colo. Peguei o maço. Retirei um, coloquei entre os lábios. A chama pequena,
estável, era protegida do vento pela minha mão.
A primeira tragada veio lenta.
Soltei a fumaça e observei se desfazer no ar.
O vento balançava as folhas acima
de mim. O trânsito continuava distante.
Encostei na árvore. O isqueiro
descansava ao meu lado no banco, junto ao copo vazio que ainda guardava o
cheiro do café.
Dei mais uma tragada e sorri para
mim mesma. Não precisava entender tudo agora. Não precisava definir quem era ou
escolher entre personas. Podia simplesmente estar ali.
A fumaça subiu em espirais
preguiçosas, dissolvendo-se no ar da tarde.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Novamente, ele não falou exatamente assim. Na hora de escrever, o texto acaba saindo melhor. Além disso, já faz muito tempo, então é natural não lembrar das palavras exatas.
ResponderExcluirLendo desde o início da para notar que você já mudou bastante, nas roupas, bebidas, saídas mais frequentes e o cigarro. A família não chegou a perceber e lhe questionar?
ResponderExcluirSim aconteceu vai aparecer nos próximos dias
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