Passei a tarde de sexta inquieta. O corpo parecia saber, antes da mente, o que a noite traria. Não era só ansiedade, era uma vibração leve, um tamborilar interno à espera do tato. Testei com o espelho se ele dizia o que eu queria: que eu era, ao mesmo tempo, promessa e lembrança.
Na tabacaria perto do meu apartamento, havia comprado dois Djarum: o Black e o L.A Cereja.
O primeiro era escuro, quase elegante demais para o meu humor daquela tarde. Mas foi exatamente por isso que o quis. O outro, mais doce e brincalhão, trazia algo de provocação no nome. L.A Cereja; soava um beijo com gloss, um riso antes de um arrepio.
Guardei-os na bolsa com cuidado. Era o desejo travestido de cravo, a persona que eu ansiava que Ted visse. E o que eu queria que ele sentisse ao me ver.
Esperei o tempo passar. Tomei banho tarde, deixei o cabelo secar ao natural, passei perfume nos pulsos e entre os seios. Maquiei-me com leveza calculada. Passei um batom matte marrom-avermelhado Marsala só para experimentar o contraste com o filtro negro do Djarum. Vesti um mini vestido de couro justo e manga longa sob uma jaqueta jeans escura, cropped e ligeiramente oversized; nos pés, as botas de cano alto.
Quando finalmente saí, o céu já estava em tons de azul profundo. Uma noite que nascia madura. As ruas tinham um silêncio fresco e cúmplice. E meus passos tinham direção: meu corpo inteiro sabia que aquilo não era só sobre encontrar alguém.
"Todas as imagens aqui expostas são meramente ilustrativas, resultantes da aplicação de Inteligência Artificial generativa, e não correspondem a retratos de pessoas reais."

Nossa, Joyce. A maneira como você descreve a maquiagem, o batom matte contrastando com o filtro escuro do Djarum é uma imagem poderosa. É isso que muitos de nós sentimos: a construção de uma persona, camada por camada, para aquele momento especial. Continue, por favor.
ResponderExcluirÉ exatamente isso! Adorei o seu jeito de descrever a "construção da persona", é um ritual importante. E sim, vou continuar! Obrigada!
ExcluirO ritual de preparação é sempre a melhor parte, e você narra com uma delicadeza que arrepia. O banho tarde, o perfume nos pulsos, a escolha da roupa. Tudo isso faz parte da magia. E você consegue transmitir não só o que fez, mas o que sentia em cada gesto. Isso é raro.
ResponderExcluirQuando você disse “o corpo parecia saber, antes da mente”, eu me vi completamente. É exatamente essa sensação física, quase primal, que precede o ato. Sua descrição da noite “madura” e das ruas “cúmplices” criou um clima tão palpável. Sinto como se estivesse lá, esperando com você. Seu blog é um refúgio para quem vive isso de forma tão íntima.
Que bom que consegui transmitir! Essa parte do "corpo saber" é a mais forte mesmo. Fico feliz que você se sinta em casa e conectada. Um abraço!
ExcluirA dualidade do Djarum Black elegante, sério e o L.A. Cereja doce, provocante diz muito sobre o jogo de contrastes que é esse fetiche. Você materializa na escrita o que muitos de nós sentimos: a tensão entre o clássico e o lúdico, o sóbrio e o sensual. Joyce, suas memórias são mais do que relatos; são ensaios sobre o desejo. Agradeço cada palavra.
ResponderExcluirVocê captou perfeitamente a ideia do contraste! Os dois Djarum representavam bem essa dualidade. Fico muito grata por acompanhar e por suas palavras gentis.
Excluir"Testei com o espelho se ele dizia o que eu queria: que eu era, ao mesmo tempo, promessa e lembrança. "
ResponderExcluirÉ a fusão de todas as versões de nós mesmas em um só olhar. Arrepiante de tão verdadeiro.
E Joyce, sim vicê ficou gata rsrsrs.
É um olhar bem intenso, né? Fico muito feliz que tenha gostado e captado essa verdade! E obrigada pelo elogio! 😉
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